domingo, 11 de janeiro de 2026

UM POUCO DE HISTÓRIA

(…) Naquela espécie de guerra, não se empregavam grandes corpos militares. A única táctica, por outras palavras, a unidade combatente, era a companhia, e foram por isso os capitães, comandantes das companhias, que desde o princípio suportaram o peso das operações. Os oficiais dos postos superiores poucas vezes saíam dos quartéis e a maior parte nem saía das cidades. Esta circunstância provocou no exército uma divisão entre aqueles que faziam a guerra “no mato” e aqueles que a faziam “no ar condicionado”. Uns e outros detestavam-se e essa hostilidade transformou-se em pura indisciplina. A frase “Vai para o mato, malandro!” rosnada e berrada pelos quartéis e acompanhamentos nas costas dos oficiais superiores, resume o estado de espírito geral. Em 1973, havia já militares que fingiam apenas cumprir missões, que se afastavam deliberadamente das áreas de risco ou que entravam em tréguas sub-reptícias com as guerrilhas do setor. Vasco Pulido Valente, Portugal e Ensaios de História e Política, Aletheia Editores