domingo, 21 de dezembro de 2014

MENSAGEM DO DELFIM (BRASILEIRO)

Através do Silva, Delfim - também conhecido como O BRASILEIRO, - enviou o seguinte mail:

"Caro amigo furriel Silva, companheiro da C. Caç. 4242:
Recebi a sua carta e jamais esperava que você me encontrasse neste endereço – foi uma grande surpresa!
Silva, falando um pouco de mim, devo dizer-te que voltei para o Brasil em 1976. Em 1986 casei com uma srª brasileira, tenho 2 filhas: Suellen e Mariana, a primeira tem 25 anos e a segunda 19. A primeira está terminando a faculdade – Fisioterapia.
Eu já estou reformado mas ainda trabalho em transportes de carga. Tenho viajado várias vezes para Portugal e na última regressei ao Brasil em 25 de Outubro corrente.
Silva, já consultei o blogue da companhia e recordei o tempo que vivemos em Mandimba. Vi a foto onde se encontram os nossos companheiros de guerra; infelizmente não dá mais para reconhecê-los; estão todos carecas, barrigudos e velhos igual a mim.
Espero que da próxima viagem a Portugal a gente se encontre e que comemoremos juntos.
DESEJO  BOM NATAL para todos e um feliz ANO NOVO.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

António Dias Costa

O SILVA enviou o seguinte mail:
É para informar que faleceu o ex-soldado ANTÓNIO DIAS COSTA que foi do 3º Pelotão e residia em Valongo.
Mandei-lhe as Boas Festas e a esposa comunicou-me "já não se encontra entre nós por motivo de doença prolongada".
Ainda em Outubro lhe mandei os Parabéns e como não me comunicaram nada, ainda devia estar vivo.
Mais um que partiu.
Se quiseres por no Blogue, talvez sirva para mais alguém ficar a saber.
Cumprimentos..
Um abraço



sábado, 13 de dezembro de 2014

Primeiro Natal da C. Caç. 4242

Monte Mandimba (Abudo)
Estamos nos primeiros dias de Dezembro de 1972, acabados de chegar a MANDIMBA-NIASSA. As primeiras ordens que recebo do nosso comandante, cap. Nunes, é que eu e a minha secção (armas pesadas) não íamos para o mato, teria que preparar a defesa do quartel, nomeadamente apontar alguns morteiros para o Monte Mandimba, porque se aproximava o Natal e segundo informações dali podia vir o pior da parte da frelimo.
Os ditos morteiros, possivelmente, ainda se encontram no mesmo sítio pois eu nunca os tirei de onde os coloquei.
Um abraço do camarada Mota a toda a família da C.CAÇ 4242.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

OPERAÇÃO NANICO

NANICO 49 - 08 ABRIL DE 1974 - LINCE
Patrulha moto até Minhumare seguido de nomadização entre os rios Matonge, Mecutira e Mecolume, com montagem de emboscadas no rio Minhange, em possíveis locais de travessia do inimigo, por 5 dias.
Militares da C. Caç . 4242 num local da LCF entre 
Belém e Catur
[Foto do álbum do Castro que mora na Trofa]


NANICO 52 - 15 ABRIL 1974 - LINCE
Nomadização entre os rios Mapulazia, Luchímua e linha do caminho de ferro [Nova Freixo-Vila Cabral], nascente do rio Lisssimba, com montagem de emboscada no rio Luchímua, em locais de possível travessia do inimigo e batida do monte Mecongo, por 5 dias.
História da companhia, pag. 147

domingo, 30 de novembro de 2014

Mensagem do Mota - "Aconteceu há 42 anos"

Da nossa chegada à Beira recordo três pontos que nunca esquecerei:
  
  1.º A visita à cervejaria em que com uma caneca da dita (cerveja ) era logo servido de um pires (prato) de camarão - que boa recepção.
  2.º Aí encontrei o meu amigo de carteira da escola FONTES PEREIRA DE MELO, Porto, de seu nome GRANJA que já não via desde o fim de curso, e que ia a caminho de Timor.
  3.º Quando estamos naquela residência para sargentos à beira do Índico e vemos um gato a correr atrás de um cão e em seguida vamos atravessar a estrada e olhamos para a direita, e os carros vem pela esquerda comentámos “nesta terra é tudo ao contrário, pelo que temos de estar de olho aberto.”
     E assim foi naqueles dois longos anos que passámos nas belas terras de Moçambique, sempre de olho aberto para beber mais uma cerveja, comer alguns camarões à espera do dia de regresso.

                     Um abraço a toda a família da C.CAÇ 4242 

sábado, 22 de novembro de 2014

Operação Mucossola - RELATÓRIO DO SIMAS

Caro amigo Almeida.
Antes de mais felicito-te pela tua persistência no construir o nosso Blogue (CCAÇ.4242), e também na paciência que tens em nos aturar a todos.
Li no nosso Blogue a transcrição da operação acima referenciada que, provavelmente, consta no Relatório da C. Caç. 4242.
Infelizmente não corresponde minimamente à verdade.
No dia 20 de setembro, o 1ª Pelotão iniciou uma operação de segurança à população do Munheere que, fustigada pela Frelimo, ameaçara abandonar a aldeia.
No dia seguinte, de manhã, um civil de ginga e muito ofegante, trouxe a notícia de que passara um grupo da Frelimo junto `à aldeia de Mucossola e que tinham dado um tiro na barriga de um civil capturado por eles para servir como carregador e que fugira.
Dividi o grupo de combate em dois, deixei um Cabo a comandar os que ficaram e parti com nove elementos, incluindo o José João de transmissões e julgo que o Cabo Figueiredo como enfermeiro.
Chegados a Mucossola verificamos o civil ferido que estava com as vísceras de fora. O enfermeiro pôs-lhe gaze e fez-lhe uma ligadura enquanto comunicávamos com o Tabefe a solicitar evacuação de helicóptero. Surgiram vários elementos da população armados de mauser e, ao dizer-lhes que iriam connosco atrás dos turras começaram a descartar-se ora dizendo que tinham dores no cabeço ora na barriga.
Mandei-os formar, dei-lhes uma sarabanda, deixei o Figueiredo e um soldado que já não me recordo quem, a coordenarem aquela gente, para improvisar um heliporto e manter segurança ao helicóptero.
Os restantes sete iniciaram a perseguição ao grupo IN, que se dirigia ao monte Mcongo, eu próprio, o Cruz (com um morteiro 60), o Lamego e o José João com o Racal, mais três soldados africanos de que me recordo do nome de dois: o Assane e o Rufino Amanse.
Estivemos debaixo de fogo das 13H00 às 13H20. Atiramos morteiradas, mas como cada um normalmente só levava uma granada, nunca poderiam ter sido dez.
Quando debandaram saímos da zona de fogo rastejando à retaguarda. Mandei o João José montar o Racal que, por não querer subir às arvores para dispor a antena pagou ao Assane para o fazer.
Falei com o Alferes Roxo que me disse ter poucos efetivos e que me deu ordens para que regressássemos.
Íamos nós regressar ao Quartel e dizer que tínhamos tido uma emboscada de 20 minutos e não ter nada que o provasse? Isso é que era bom. Avançamos em linha e capturamos o material que está referenciado e que demonstra que os sete vieram bem carregados.
Reconheço as dificuldades que possam ter os historiadores mas… tenham paciência.
No caso concreto não consegui levar nenhum guarda rural, nem mesmo dizendo-lhes junto ao ferido, que mais tarde viemos a saber ter morrido a bordo do helicóptero, que os turras tinham ferido seu irmão e que precisavam de ter castigo. Nem um para amostra.
Desculpem-me mas esta já vai longa.
Um abraço do Simas e, se algum dos referenciados puder dar uma ajuda eu agradeço antecipadamente.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Os Cus de Judas



“(….) - Se fosse, dava-lhe um tiro nos tomates. O burocrata idoso que seguia à minha frente voltou-se para trás assarapantado, uma senhora disse para outra Chegam todos assim lá de África, coitadinhos, e eu senti que me olhavam como se olham os aleijados que rastejam de muletas nas cercanias do Hospital Militar, sapos coxos fabricados pela estupidez do Estado Novo, que ao fim da tarde, no Verão, escondiam os cotos envergonhados nas mangas das camisolas, pombos doentes pousados nos bancos do Jardim da Estrela, ou misturando-se com as prostitutas que na Rua Artilharia Um roçam as ancas ossudas pelos Mercedes a diesel de construtores civis de fósforo nos dentes, a suarem de cio sob os chapéus tiroleses. (…)”
António Lobo Antunes, Os Cus de Judas, Pag. 103, Publicações Dom Quixote

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Uma grande m....


Foto do álbum do Castro
que mora na Trofa
A manhã começava a romper; eram 4 horas e poucos minutos. Alguns militares já estavam a pé. O Cancela acordou. Ao seu lado ainda dormitava o transmissões e um furriel. Levantou-se e tentou tirar da cara e das mãos o que restava de antídoto para os mosquitos: tabaco desfeito de um cigarro e misturado com a saliva. Pegou na G3, afivelou o cinturão e foi um pouco mais longe defecar porque isto também se faz no mato. Era uma ginástica: encostar a G3 à árvore mais próxima, retirar o cinturão e colocá-lo ao lado, despir as calças e as cuecas transbordadas de suor, agachar-se e procurar expurgar tudo quanto o organismo não precisava. Mas era de não esquecer a G3, pelo que, apoiado sobre os calcanhares, as mãos encontravam-se no tapa-chamas: a necessidade humana em tempo de guerra…

História quase real escrita por um militar da C. Caç. 4242

domingo, 19 de outubro de 2014

O regresso dos soldados há 40 anos

19 Outubro de 1974 marca o nosso regresso da c. caç. 4242, Mandimba, Moçambique, da guerra colonial.
Uma data a recordar por todos, não perdendo de vista a lembrança dos nossos mortos:
ANTÓNIO COSTA OLIVEIRA
ANTÓNIO CUNHA FERNANDES



Cabo Costa na frente.
O Silva é o terceiro.
Nesta foto que junto, o cabo Costa é o 1º da fila; era do 4º pelotão e a foto foi tirada quando lá estive [no 4º pelotão].
Do Sevilhano não me lembro de ter foto [se alguém tem uma foto do sevilhano, é favor enviá-la].

Toca a comemorar no dia 19.
 Um abraço.
   Silva






quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Os nossos cozinheiros

Aqui envio uma foto daquele cozinheiro - com os seus "ajudantes" -
que fazia os petiscos e as refeições para os sargentos da C. CAÇ.4242.
Como estarão?
 Alguém se lembra do nome deles?
 Mota
Trabalhavam e tinham o seu ordenado.
Se lembro!... Em cima, ao lado do Mota, o cozinheiro Augusto, em baixo, um deles é o Luís, o outro?...de momento não me recordo do nome.
Ainda havia o Ernesto, não era assim o seu nome? Aquele que dava apoio no nosso sector e punha calçado a brilhar!... Já todos devem estar no outro lado, com pena minha, pois eram boa gente.
Abraços
Azevedo


domingo, 21 de setembro de 2014

Mucossola

(...) iniciámos a perseguição quando fomos surpreendidos por uma emboscada do inimigo. Reagimos disparando vários tiros e lançando dez granadas de morteiro 60mm. Após vinte minutos de fogo cerrado, o inimigo fugiu em debandada, atirando primeiro uma granada que caiu perto de nós. Reorganizámo-nos e formámos em linha, fazendo o reconhecimento do terreno. Encontrámos algum material abandonado, em redor de duas fogueiras do acampamento. Não continuámos a perseguição por sermos poucos: sete militares, sete Guardas Rurais e duas Pop. Arm., não dispondo de enfermeiro. Inutilizámos os géneros alimentares que tinham abandonado - arroz, farinha e mapira - , apanhámos o material de guerra, o fardamento e iniciámos o regresso ao Munhehere. - Resultados obtidos: 1 gerador de corrente de origem Russa (explosor); 2 catanas; 1 rolo de cordão eléctrico; 2 minas anti-grupo POMZ-2; 1 mina anti-carro TM-46; 2 carregadores da Kalashnikov c/ munições; 1 capa de chuva; 3 fardas completas; 1 calças; 25,5 kg de TNT em petardos de 200 e 400 gr; 7 rolos de arame de tropeçar, 2 latas de conserva...
In História da C. Caç. 4242

sábado, 13 de setembro de 2014

Nadir, Nadir

NADIR 10 – 10 JAN1974 – Patrulha moto até ao aldeamento de Matoto, seguido de nomadização 
Montanha perto de Cuamba,
antiga Nova Freixo
entre o rio Matonge e o rio Minhange, com montagem de emboscadas no rio Minhange, por 4 dias.


NADIR 13 – 13JAN1974 – Patrulha moto até ao aldeamento de Juma, seguido de nomadização na região entre o rio Lugenda e o monte Luchimua, com montagem de emboscadas no rio Luchímua, por 4 dias.
NADIR 14 – 15JAN1974 – Patrulha moto até à zona de Umpuanela, seguido de nomadização na região da serra Iapane, com montagem de emboscadas na fronteira, por 4 dias.

NADIR 15 – 16JAN1974 – Patrulha moto até Minhomar e apeado na região entre Minhomar e a serra Lipembéque, por 4 dias.
História da Companhia, pag. 113

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Escaldante mês de Janeiro de 1974

Em 23 JAN.1974, as nossas tropas – C. Caç. 4242 -, em perseguição de um grupo inimigo, accionaram armadilha, sofrendo 2 feridos ligeiros.
Em 25 JAN. 1974, uma patrulha da defesa civil dos caminhos de ferro detectou, no km 631, vinte minas A/P PMA, de origem jugoslava, 250 petardos de 400 gramas de TNT, cerca de 5.000 metros de cordão detonante, 100 detonadores eléctricos e chaves explosoras. Supõe-se que durante a montagem das cargas, o inimigo tenha provocado, acidentalmente, um rebentamento.
Foram descobertos 2 trilhos em direcção a nordeste, unindo-se cerca de 300 metros adiante, num único trilho.
Em 26 JAN. de 1974, o subgrupo Lince GE 401, em perseguição de grupo inimigo, detectou uma mina A7P PMA/1 de origem jugoslava.
Após levantamento da referida mina, um elemento GE accionou, involuntariamente, outra mina, causando um ferido grave nas nossas tropas e ainda um ferido ligeiro.
História oficial da Companhia

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Monte Mabu

Ao consultarem o Google Earth, em 2005, uma equipa de cientistas dirigida por britânicos, detectou uma mancha verde florestal denominada Monte Mabu, algures na Zambézia, Moçambique.

No final de 2008 essa equipa organizou uma expedição ao Monte Mabu, encontrando árvores de 45 metros de altura, imersas numa biodiversidade espantosa: novas espécies de borboletas, uma cobra desconhecida, aves raras, cobras gigantes como a víbora do Gabão, etc.
 
Moçambique foi devastado por uma guerra civil (1975-1992). Os cientistas encontraram uma natureza intacta, resultante do desconhecimento da sua existência, a dificuldade de acesso e esconderijo para a população durante os combates, daí a sua preservação e longe da pressão das queimadas para fazer sementeiras e longe da pressão para cortar madeira, não se tornando, então, uma ameaça ecológica.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Antes do cessar-fogo

Itinerário entre Mandimba
e Nova Freixo
26JUN1974 - Hoje, pelas 10 horas, um grupo inimigo não estimado atacou alguns elementos da povoação de MOCOSSOLA, coordenadas (1357.3556), tendo ferido gravemente um deles. As nossas tropas - grupo de combate "GALO" - deslocaram-se da povoação de Munhehere para o referido local, lançando uma perseguição ao inimigo, sendo as nossas tropas auxiliadas pela população armada. Cerca das 13,30 horas as nossas tropas foram emboscadas perto do monte Mecongo . Não há baixas a registar.
História da Companhia, pag. 167.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

OS NOSSOS MORTOS EM COMBATE



15JUL1974 - Hoje, pelas 12,30 h, quando o grupo de combate "ROLA" regressava do destacamento de MUNHEHERE numa viatura UNIMOG 404, acionou uma mina A/C na região de coordenadas (1358,5.3556), muito próximo da povoação de JUMA, causando 12 feridos às nossas tropas, entre os quais 2 gravemente e 2 elementos das pop também em perigo de vida. Supõe-se que o referido engenho explosivo tenha sido colocado pouco antes daquela ocorrência. A viatura ficou parcialmente destruída. A evacuação dos feridos continua  a ser feita de Belém. Um grupo de combate deslocou-se ao local e prosseguem as averiguações.
BAIXAS E ABATES: Em consequência do acima relatado, faleceram na 1ª enfermaria militar regional [Vila Cabral], em 16JUL1974, para onde haviam sido evacuados, por acidente em campanha [leia-se morte em combate], os seguintes militares:
1ºcabo ANTÓNIO COSTA OLIVEIRA
soldado ANTÓNIO DA CUNHA FERNANDES
 
História da c. caç. 4242, 176 e 177

domingo, 20 de julho de 2014

O caso dos Padres da Beira

"(...) Mande pelo portador um garrafão de cinco litros de vinho, para festejarmos o próximo aniversário do início da nossa luta(...)"
Leia aqui o texto completo

domingo, 6 de julho de 2014

CONVÍVIO 5 DE JULHO 2014 - BRAGA

UM ABRAÇO A TODOS OS C.CAÇS E SEUS FAMILIARES
 
 No encontro em Braga, não éramos muitos, como podem confirmar pelo vídeo, mas parece-me que correu bem. O próximo ficou marcado para a COVILHÃ e vai ser organizado pelo camarada Rato.
Abraço, Azevedo
Para ver o vídeo em tamanho maior, clicar no botão                       full screen

quarta-feira, 2 de julho de 2014

ACÇÕES DO INIMIGO

População armada procede à limpeza de armamento
08JUN1973 – Apresentaram-se no posto Administrativo de Belém 2 Milícias da povoação de Munhehere que, efectuando uma patrulha a esta referida povoação, de coordenadas (1346.3651), detectaram 2 palhotas intactas e 9 destruídas pelo fogo. Passada uma busca, foi encontrado enterrado numa das palhotas destruídas o seguinte material IN

- 2 cunhetes de munições 7,72 mm cheios;
- 2 chaves explosoras;
- 1 carregador circular;
- 110 barras de trotil com peso aproximado de 200 g cada;
-  1 fita de metralhadora.

História da Companhia

terça-feira, 24 de junho de 2014

CONVÍVIO 2014 - BRAGA ~5 DE JULHO

CONFIRMA A TUA PRESENÇA ATÉ  26 DE JUNHO

Itinerário

Através da A1 e A3 (Lisboa, Porto, Braga) / Senhora do Alívio – Soutelo / Vila Verde

·  Depois da passagem da portagem da CRUZ, sair na Saída (seguinte) CELEIRÓS/BRAGA;

·  Passar a portagem, seguir sempre em frente (ATENÇÃO NÃO SAIR PARA A AE DE GUIMARÃES);

·  Sair logo de seguida na SAÍDA BRAGA SUL;

·  Convergir para a direita em direção a BRAGA, GUIMARÃES, CHAVES;

·  Seguir em direção a BRAGA ESTE, CHAVES;

·  Seguir sempre em frente, passar ao lado do hipermercado CONTINENTE;

·  Seguir em frente, começar a encostar à esquerda;

·  Passar pelo túnel e seguir em frente;

·  Passar ao lado do hipermercado PINGO DOCE e BRAGA PARQUE;

·  Seguir em frente, começar a encostar à esquerda;

·  Passar por cima do viaduto;

·  Seguir na direção de Vila Verde, Ponte de Lima, Amares, Terras de Bouro

·  Seguir na direção de Vila Verde, Ponte de Lima;

·  Convergir para a direita, seguindo na direção de Vila Verde, Amares;

·  Seguir sempre em frente;

·  Convergir para a direita, seguindo na direção de Monção, Vila Verde;

·  Seguir na EN 101 em direção Monção, Vila Verde;

·  Chegada a Soutelo, quando avistar o Santuário da Nossa Senhora do Alívio, 100 metros antes virar à esquerda para o RESTAURANTE MARTINHO e estacionar.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

 
Seu nome é Paulino
O seu nome é Paulino; tem doze anos. Nasceu no Vuende, Tete, e a sua história é curta. Uma manhã a mãe disse-lhe: - Hoje não vais à escola. Vem comigo à machamba onde o teu pai está a trabalhar. Saíram ambos, sós, da sua aldeia. Poucos metros adiante Paulino tinha uma mina [da Frelimo] a estoirar-lhe debaixo dos pés. Quando, tempos depois, chegou o helicóptero militar para o transportar ao hospital de Tete, foi um jovem sem duas pernas quem entrou no aparelho.
 (De um panfleto do exército português de acção psicológica)

quinta-feira, 29 de maio de 2014

1,25 de cerveja pequena para cada militar

"Despacho do ministro do Ultramar autorizava a dotação de 1,25 de cerveja pequena/homem/dia para as Forças Armadas de Moçambique, a fim de ficar igual ao benefício concedido aos militares em Angola.
Militares da C. caç. 4242 num momento de descontração
A isenção de imposto a produtos para consumo das forças em operações era regulada por uma portaria (19 501) de 1962 do Minstério do Ultramar que isentava de imposto de fabricação e consumo o tabaco e a cerveja destinados às Forças Armadas em Moçambique, mas como o articulado do diploma apenas referia as isenções do tabaco, a cerveja ficou de fora, pelo que o Governo decidiu isentar 2,5 milhões de litros, o que correspondia em 1972 a uma capitação de meia cerveja pequena/homem/dia.
Finalmente, com este despacho do ministro do Ultramar, a capitação passava para os 1,25."
Do Livro nº 13 Os Anos da Guerra Colonial, Correio da Manhã, de 20 de Maio de 2009

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Quartéis - Capelas Imperfeitas


Quartel em Mandimba, Niassa,
1972-74
Ruínas do quartel em Mandimba, 2010
http://ccac3468.blogspot.pt/
(...) Os quartéis dispunham de instalações fixas, melhores ou piores segundo as circunstâncias, com órgãos de comando, administrativos e logísticos e foi nela que assentou o dispositivo militar português, sendo o mais típico da guerra o quartel da companhia, onde viviam o seu dia-a-dia cerca de 200 homens, comandados por um capitão. (...)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

CONVIVIO 2014

Azevedo enviou uma hiperligação para o blogue:

Bem!... O nosso convívio, este ano, vai ter lugar em Braga, de acordo com o que no ano passado deliberamos em Gaia. A data é 5 de Julho no Alívio, Soutelo Vila Verde, restaurante "MARTINHO". Brevemente seguirão cartas com programa.

Abraço,
Azevedo

sábado, 10 de maio de 2014

Completamente nús...


Foto extraída de
http://o-lado-oposto.blogspot.pt/
 
(...) Alguns elementos da Frelimo ter-se-ão posto em fuga completamente nus, pois encontravam-se a descansar nas palhotas quando foram surpreendidos pelas nossas tropas da C. Caç. 4242, e tinham a roupa a secar. O número provável de elementos seria de 10 guerrilheiros e 5 mulheres, sendo o chefe da base um tal Eugénio Agia, conforme carta encontrada na palhota do mesmo.(...)
In História da C. Caç. 4242
Ler aqui o texto completo

segunda-feira, 5 de maio de 2014

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mensagem do Mota

Camaradas nas minhas pesquisas pela internet encontrei algumas fotos do que foi a nossa casa em Mandimba; para verem essas fotos vão ao blog da C.CAC 3468:
http://ccac3468.blogspot.pt/
  Um abraço a toda a família da c.caç. 4242

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Ameaças da Pide

Azevedo enviou uma hiperligação para o blogue a respeito do 25 de Abril de 1974:

O Ferrão [inspector da Pide em Mandimba] ameaçou-me com prisão depois de eu ter dito que se tinha dado um golpe de estado [em Lisboa]. Eu, na dúvida, amuei e no dia seguinte, conjuntamente com o Borges, fomos enfrentar e desafiar o touro, tipo, prende agora!!... Mas ele ficou calado, como é evidente.
Abraço do Azevedo

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Mensagem do Mota

Milton Mota enviou uma hiperligação para o blogue:

Ó Azevedo conta lá aquela em que tiveste ameaça de ser preso pela PIDE em MANDIMBA no dia 25 de Abril [1974].
Um abraço para toda a família C. Caç. 4242.
Milton Mota

domingo, 13 de abril de 2014

Uma Estória Que Não Aconteceu

(...) que teria ocorrido há coisa de 8 dias [12Ago74] num posto de [M'Ponda] fronteira do Malawi, nas cercanias [a ocidente] de Mandimba. Certa tarde alguns porta-vozes lançam, sobre os muros da guarnição portuguesa [CCac4242/72 ali aquartelada há 21 meses], um apelo da FRELIMO à "fraternizaçâo": "Saiam sem armas para dar o abraço da fraternizaçâo". No interior do posto há uma concentração: "Porque não, se afinal de contas a guerra acabou e negocia-se a independência?". E eis que os bravos soldados portugueses (que em 15Ju174 tinham sofrido 2 mortos em combate], se lançam afectuosamente nos braços estendidos dos guerrilheiros que os aguardam com largos sorrisos descobrindo os dentes brancos. Abraçam-se com grandes palmadas nas costas e, logo a seguir, os terroristas sacam das armas e fazem-nos a todos prisioneiros. Foi assim que 150 homens foram capturados. O alerta foi dado por dois atrasados que tinham a "fraternizaçâo" lenta. A partir daí, as versões divergem: alguns afirmam que os 150 soldados foram massacrados a alguns quilómetros do local: outros, que foram conduzidos cativos ao Malawi. O mais verosímil é que tenham sido libertados após uma intervenção do comandante da FRELIMO da região de Tete, Raimundo Dalepa.»

O documento onde surgiu esta informação encontra-se clicando no link abaixo. Como é um documento com 77 pag., pode lê-lo integralmente ou apenas a pag. 37.

http://ultramar.terraweb.biz/AbreudosSantos/197408_x.pdf
 

Em relação à disparatada notícia recebemos as seguintes opiniões:

1. Simas enviou o seguinte comentário sobre a publicação : "Amigo Almeida,
Ainda não li Uma Estória Que Não Aconteceu bem mas respondo-te rapidamente.
A descrição, pelo menos quanto ao local e à chacina, é falsa.
De resto a História da nossa CCAÇ, que até registava os percursos de chegada dos médicos, não deixaria passar tal acontecimento que como sabes não consta lá.
Julgo ter ouvido falar numa cena parecida mais para cima para o Rovuma mas sem chacina.
Um abraço amigo."

2. Azevedo enviou o seguinte comentário sobre a publicação Uma Estória Que Não Aconteceu:
"Falsidade pura. O que se passou realmente, foi a ocorrência da morte de dois camaradas, quando regressavam do Monhahery para Mandimba e também de um curto encontro havido com alguns elementos da Frelimo, no largo do Chipa, junto à tasca do Régulo, com uma ligeira passagem pelo Quartel em Mandimba, suponho!...
Nas duas situações estive presente, na primeira como chefe da secção das evacuações e na segunda, como membro destacado pela Companhia para o efeito. De resto, nós regressamos de boa saúde em coluna militar até Nampula, onde até tivemos a companhia do velho Cassiano (cantineiro) com o seu toyota, depois de termos feito entrega do quartel à PSP, na pessoa do subchefe que na altura comandava a secção. Eu até gostava de visitar a Mandimba de agora!..."


3. Do nosso companhero Pires de Lima que esteve no destacamento de Belém:
Caro camarada:
Não nos conhecemos mas andamos juntos. Ao ler alguma coisa sobre a CCaç.4242, reparei que falam na entrega de uma companhia nas mãos da Frelimo por pensarem que eram todos irmãos. Essa companhia estava em OMAR, no Rovuma. Conheço um colega desse tempo que estava naquela zona salvo erro  em Nangade e que veio a pé para Mueda.
Omar era atacada todos os dias e em todos os momentos. A minha companhia esteve em Cabo Delgado - Antadora - (Fevº 71 a Julho 72) antes de irmos para  Belém. Quando desembarcaram em Belém para irem para  Mandimba, eu estava lá. Eu sou o ex-Furriel Miliciano Lima ( CCav.3320) que segui com a escolta quando o comboio foi minado. Aliás foi a última escolta que fiz pois nós regressamos a Lisboa em Abril.
Saudações de combatente.

Mail enviado ao amigo Fernando Gil que alertou para o facto:
"Caro amigo Fernando Gil
Desde já o meu bem-haja por me ter enviado o mail e aquele documento “Raimundo Dalepa”.
O assunto relatado naquele documento é surrealista:
1.É verdade que a C. Caç. 4242/72 esteve aquartelada em Mandimba desde 28 de Novembro de 1972 até fins de Setembro/princípio de Outubro de 1974.
2.É verdade que sofremos 2 mortos no dia 15 de Julho de 1974.
3. É verdade que a localidade de M`ponda – a caminho do Napulo, muito perto do Lago Amaramba - pertencia à nossa área de acção, só que não havia lá nenhum posto de aquartelamento das nossas tropas, pelo que os factos relatados, a existirem, não teriam acontecido nesse aldeamento, mas sim em Mandimba.
4.É certo que a partir de Agosto (?) de 1974 se registou o cessar-fogo, pelo que terminaram os actos bélicos, surgindo, com naturalidade, a tolerância mútua.
5.Nunca se registou nenhum acto de fraternização, nem abraços, nem qualquer outro tipo de manifestação entre as nossas tropas e os elementos da Frelimo, nem qualquer tipo de diálogo efusivo como é referido no documento.
6. É mentira que a Frelimo tenha feito prisioneiros. Tal facto nunca aconteceu. As manifestações que existiam entre a Frelimo e as populações eram realizadas nos aldeamentos e, quando em Mandimba, nos jardins da Administração, mesmo em frente ao nosso aquartelamento.
7.No documento fala em 150 homens. A nossa companhia tinha um número inferior ao apontado.
8.Resumindo: as tropas não fraternizaram com as da Frelimo, não houve prisioneiros nem mortes daí resultantes. Houve sim uma manipulação descarada dos acontecimentos, patente no relatório que estamos a confrontar.
9.A primeira vez que uma delegação da Frelimo entrou no nosso quartel foi em 29 de Setembro de1974, conforme relata a história oficial da Companhia: “Uma comissão da FRELIMO visitou esta [Companhia 4242/72], efectuando um comício [nos jardins da Administração] no dia 29.” (Pag. 108)
Caro Fernando Gil, esta é a minha versão dos acontecimentos. Já pedi a outros companheiros que me relatassem a sua versão. Se existir algo de relevante, comunicarei consigo.
Um abraço
Manuel Cesário Almeida"

Aceitam-se comentários de quem possa confirmar ou desmentir estas atoardas. O nosso comandante de companhia deve ter informação valiosa que poderia esclarecer alguns factos. Eu sei que ele lê o blogue. Espero a sua colaboração.
Um abraço para todos.