sábado, 25 de abril de 2015

O nosso 25 de Abril foi a 26

Os militares da C. Caç. 4242 estavam aquartelados em Mandimba, Niassa, algures entre Nova Freixo e Vila Cabral.
No dia 25 de Abril de 1974, estranhamente, não eram emitidos programas na Rádio Clube Moçambique. Passava apenas música clássica.
Nesse dia ouvíamos informações de uma rádio da África do Sul, anunciando que houvera um golpe de estado em Lisboa.
Confrontado o inspector da Pide de Mandimba - o sr. Ferrão -, este limitou-se a dizer em tom ameaçador: "depois não se queixem que estão com azar".
O nosso
25 de Abril foi a 26. Só no dia seguinte surgiram informações da revolução dos cravos em Lisboa, que para nós seria um acelerador do nosso regresso à Metrópole, embora não fosse assim tão linear:
"Na 5ª feira do dia 25 de Abril de 1974 continuámos o caminho pela linha do caminho de ferro [Belém - Catur] a fim de detectar uma possível travessia do inimigo [Frelimo], mas as buscas foram infrutíferas. É de salientar a atitude do 1º cabo nº 1183/72, pela maneira como respondeu, fortemente, de pé, ao fogo do sentinela inimigo, afirmando ele que lhe atirou 3 tiros, relativamente perto, atingindo-o, certamente
" (extracto do relatório da operação de Juma a Namicoio Velho)
In História da C. Caç. 4242

sexta-feira, 17 de abril de 2015

30º CONVÍVIO C. CAÇ. 4242 EM 2015

PAULO RATO e
ANTÓNIO CARROLA
São os organizadores do
 convívio 2015
O 30º Convívio da C. CAÇ. 4242, a realizar em data a anunciar, será organizado na Covilhã pelos nossos companheiros Paulo Rato e António Carrola
Aguardem novas informações.
O Paulo Rato mora na Vila do Carvalho, Covilhã e o António Carrola mora em Unhais da Serra, Covilhã.
É de louvar e incentivar a iniciativa e abnegação de todos quantos já organizaram encontros anteriores.
Um agradecimento a todos.





sexta-feira, 10 de abril de 2015

Aquela fita...

"(…) -  Sentem-se – disse o Capitão. – Temos uma grande merda entre as mãos.
- Mas o que é que tu [capitão] querias, se tens o cu colado a essa cadeira, com as mãos por baixo? – espicaçou o Bernardo.
- Segundo as notícias que nos chegaram da DGS [pide], há a informação da passagem de um grupo de turras pelo norte do rio Luchímua, dirigindo-se para os montes Checulo. Vão seguir o 2º, 3º e 4º, e dois pelotões de GE. Tendes aqui as coordenadas. Comandará a operação o Cancela. Desenmerdem-se... E preparou-se para sair, quando pegou na boina. Mas, antes de chegar à porta:
Ruínas do Quartel em Mandimba
- Falem com os Furriéis, mas nada digam aos soldados. Eles receberão as rações de combate, para quatro dias quando estiverem no refeitório, após o que arrancam logo. A operação não será indicada a ninguém, nem mesmo aos guias. Entendido? – E saiu.
- Mas que grande merda. E logo aquele ventas de cu  havia de se lembrar de nos mandar para o mato na altura do filme que vai dar na Administração – vociferou o alferes Checa (…). "

(Cancela Tropa – O Uivo da Dgs - História quase real de um militar da c. caç 4242)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

NAPULO ou SAMBA

24OUT1973(…) Amanhã tenho que me levantar cedo para uma saída distante do quartel de Mandimba. Objectivo: uma povoação perto da fronteira com o Malawi, na ponta final da nossa zona de acção. Levo rações de combate para distribuir pela população, gasóleo para fazerem as lamparinas de iluminação e distribuir e colar cartazes de acção psicológica, pois é esta a minha missão, sendo a de maior responsabilidade o controlo das armas [mauser] distribuídas a elementos dos vários aldeamentos. São distribuídas 5 munições [five polopolu], para caça, por mês, a cada elemento. Cada dia da semana vou a diversos locais [centros de instrução] mandar limpar as ditas armas e inspeccionar as mesmas. (…)
Limpeza de armamento
Diário de um militar da C. Caç. 4242