domingo, 5 de agosto de 2012

Cu de Judas

Kaúlza lança a operação Fronteira, a construção em Nangade, junto ao Rovuma, na fronteira com a Tanzânia, de uma vila com todos os requisitos da “vida moderna” (incluindo circuito interno de TV), a ligar ao Índico por estrada asfaltada. Nangade fica no meio de coisa nenhuma, num daqueles sítios de exílio interior a que os soldados portugueses se habituaram a chamar “cu de Judas”. O megalómano projecto de Kaúlza consistia em criar uma obra modelo que sirva de padrão a outros aldeamentos moçambicanos e atraia a população conquistada pela Frelimo. (…) A nova Nangade nunca será construída, ficando entregue à voracidade da selva, como um insólito monumento aos improváveis sonhos do comandante-chefe de Moçambique (…).
Os Anos da Guerra – João de Melo – Círculo de Leitores, pag. 18

1 comentário:

ruijacar disse...

Cu de Judas ou, como diria o Mário "Camelo" Lino, Margem Sul.