quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A ladroeira

“(…)
- Hoje temos uma saída em força para o mato. Há tempos que tal não acontecia: uma companhia em peso, numa operação que nos poderá trazer um louvor, não por parte do comandante de batalhão, mas do comandante de sector. Vocês lembram-se quando ele aqui esteve…
- Ora, foi na altura em que melhor se comeu: até champanhe foi servido. E não se pagou nada – referiu o Bernardo.
- E vocês a darem-lhe no custo das refeições. Eu e o primeiro-sargento fazemos o que é possível…
- Mas quanto é que tu [capitão] e o primeiro-sargento metem no bolso com as refeições dos praças, dos sargentos e nossas? – ripostou o Cancela.
- Deixa-te dessas merdas. Tu é que és o gerente da messe [dos oficiais].
- Pois, estás à espera de ensacar mais! Não te basta a gasolina que vendes aos civis?!...
- Meus senhores – disse o capitão, a rematar a conversa, com um sorriso sarcástico: - o que interessa é que vocês vão para o mato. Não estejam com conversas da treta. Despachem-se. As berliets estão quase prontas e vocês devem estar no mato o mais rápido possível.
Fez-se silêncio. Parece que o frango começava a ficar atravessado no estômago de cada um.

(…)”
In "Cancela tropa - O Uivo da DGS" - Uma história (quase) real da C CAÇ 4242

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