sexta-feira, 6 de junho de 2008

Propaganda de Apsico

O seu nome é Paulino; tem doze anos. Nasceu no Vuende, Tete, e a sua história é curta: uma manhã a mãe disse-lhe: - Hoje não vais à escola. Vem comigo à machamba, onde o teu pai está a trabalhar. Saíram ambos, sós, da sua aldeia. Poucos metros adiante, Paulino tinha uma mina a estoirar-lhe debaixo dos pés. Quando, tempos depois, chegou o helicóptero militar para o transportar ao hospital de Tete, foi um jovem sem duas pernas quem entrou no aparelho.

(De um panfleto do exército português de acção psicológica)

terça-feira, 3 de junho de 2008

Parabéns ao diaporama do Silva

Azevedo enviou uma hiperligação para o blogue:
"As fotos do ex. furriel Silva!... Na época, o "sissi de Espariz", não tinha carta nem, tão pouco licença de condução, mas conduziu e soube conduzir bem.
Parabéns Silva.
Um abraço.
Azevedo"

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Comunicado

"Hoje desloquei-me a Montalegre, onde tive o prazer de cumprimentar o chefe da repartição de finanças local, nosso ex-camarada alferes Roxo. Despedimo-nos com um até ao 14 de Junho. Abraços para todos.
Azevedo"

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Militares da C. Caç. 4242

Silva, "Pirata", "Francelos", etc., junto à Berliet, em momento de descontracção.

sábado, 26 de abril de 2008

Semelhanças...

(...) Como estava perto dele, corri para a frente para o socorrer. Dei 2 passos e o inferno rebentou-me debaixo dos pés. Abriu a bocarra para me tragar. Quando penso nesse momento, o que me ocorre é estupefacção e surpresa. Não é medo nem é dor. Isso veio depois. É antes o pensamento de "isto não me está a acontecer a mim!". Mas quando aquele ronco [pisara uma mina] me deflagrou sob as botas, e me atirou ao ar, projectando-me vários metros para a frente, compreendi que a minha vida mudara para sempre e eu nunca mais seria o mesmo. Caí no chão transformado num frangalho (...).
"Olhos de Caçador", António Brito, Sextante Editora, 2007

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Fotos de Mandimba

http://www.flickr.com/photos/25480309@N04/sets/72157604453502486/show

Amigos da C. Caç. 4242, façam clik na linha acima e vejam estas fotos; enviem-me as vossas para esta apresentação. Colaborem. Um abraço.

terça-feira, 18 de março de 2008

Três bacanos da C CAÇ 4242. Fronteira com o Malawi, em Mandimba

Um abraço especial ao Simas que hoje está em Lisboa a jantar com um grupo de malta porreira.
O Dias está em grande estilo; o Silva idem

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

DISCURSO DO SIMAS

Antes de mais queria saudar todos os ex-combatentes da CCAÇ 4242 aqui presentes que, respondendo à chamada do ex-soldado condutor Joaquim Cebola, que tinha como nome de guerra “Nisa”, se dignaram fazer um interregno nas sua vidas e deslocarem-se dos sítios mais recônditos deste País para nos virmos abraçar e celebrar a vida que ainda temos com a saúde que nos resta.
Muito mais do que uma refeição, estes momentos de convívio, de reviver recordações e de saudade dos tempos da nossa juventude, marcada pelo estilete da guerra e de África, são muito importantes para, na terceira idade em que todos já nos encontramos, alimentarmos o nosso ego e dizer aos outros em alto e bom som que, apesar de obrigados, não fizemos nada que nos envergonhasse.
Se da guerra temos recordações menos boas, pelos companheiros mortos e feridos, de África, concretamente de Moçambique, julgo todos termos as melhores recordações.
O seu clima com a época das chuvas, sinónimo de viaturas atascadas e das secas quando se faziam as célebres queimadas que renovavam a paisagem e revitalizavam os terrenos de tal forma que toda a semente que no solo caia germinava.
As suas gentes, na nossa zona essencialmente Ajauas e Macuas, estes últimos de tez mais escura, dóceis no trato e de fácil relacionamento, em que algumas das moças se prestavam para namoriscar com alguns de nós.
Descansem que não vou mencionar nomes!...
Pessoalmente, África marcou-me profundamente pois que foi lá que, a meio da comissão resolvi iniciar a vida em conjunto com a minha companheira Ana, com quem já namorava há cinco anos.
Em boa hora o fizemos. Como todos também temos passado por algumas agruras, mas temo-nos amado muito, fizemos duas filhas lindas e já vamos com um casal de netos.
Aproveito ainda para saudar as companheiras dos CCAÇs aqui presentes pela coragem e paciência de terem de aturar os vossos companheiros que, ao que agora dizem, sofrem de sindroma traumático pós guerra!
Saúdo também os companheiros ausentes que, estando espalhados pelo continente Português, o Raposo em Bristol EUA e o Brasileiro no seu Brasil, não marcaram presença certamente por motivos de vária ordem.
Aos companheiros mortos, uns no teatro de operações e outros pela lei natural da vida, para eles o Eterno Descanso. No meio destes permitem-me destacar o Fevereiro que, com a sua viola e alegria contagiante nos fez passar por momentos de convívio muito agradáveis em que ficava sempre renovado o nosso desejo do regresso a casa.
Em memória de todos eles, de pé, vamos cumprir um minuto de silêncio.
Gostava de agradecer ao Almeida Psicola e ao filho Rui Jacaré o trabalho da criação e manutenção do Blogue da CCAÇ. 4242 que tem sido o traço de união entre todos nós.
Ao Joaquim “Nisa”, à esposa e aos filhos que também se envolveram, os meus agradecimentos pelo trabalho na organização deste evento. Parabéns.
Finalmente permitem-me ainda, passados quase 42 anos sem nos encontrarmos, agradecer a presença do Manuel Moreira Nunes.
Seguindo o lema sejamos generosos no elogio e comedidos na critica e porque não vem nem podia vir na História da CCAÇ 4242, é altura de todos nós tomarmos conhecimento, de duas intervenções decisivas do Capitão Moreira Nunes no sentido da nossa Companhia não ter sido mais sacrificada e ou martirizada.
A primeira foi que, quando chegados à Beira e depois também em Nampula, nós que tínhamos Guia de Marcha para Mandimba, haviam forças ocultas de altas esferas que nos queriam empurrar para outros sítios mais “quentes”. O Capitão Nunes, e bem, fez o que tinha a fazer que foi o de defender com firmeza o local a que inicialmente estávamos destinados – Mandimba.
Quanto à segunda os que por lá andaram presenciaram mudanças no teatro de operações de várias companhias. Umas por castigo eram atiradas para o Lunho, etc., havendo ainda uma política de, a meio das Comissões, as Companhias rodarem indo para zonas menos boas se estavam em zonas boas e para zonas boas, para descansarem, caso estivessem em zonas de porrada como se dizia.
Apesar de tudo o que passamos, nenhum de nós queria pior, e a meio da nossa comissão houve quem nos quisesse empurrar para zona de mais barulho e foi o Capitão Nunes que se opôs argumentando o que entendeu, mas lá continuamos.
Como sabeis, o Capitão Moreira Nunes era o responsável máximo no terreno pelas nossas acções, pelos nossos actos e omissões e também pelas nossas vidas.
Hoje, todos adultos, conhecemos bem o peso das responsabilidades.
Perante vós aqui e agora quero dizer em alto e bom som “Obrigado Capitão Nunes por me teres trazido de volta com vida e saúde”.

Bem hajam a todos, um bom regresso ás vossas casa e… até para o ano!.
M M SIMAS

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O Cancioneiro do Niassa

O Cancioneiro do Niassa é uma colectânea de fados e canções centrados na vida dos militares portugueses colocados na região do Niassa, Moçambique, durante a Guerra Colonial nos finais da década de 1960 e inícios da década de 70. Constituem maioritariamente adaptações das letras de melodias em voga na altura e retratam uma visão humorística e sarcástica da própria guerra.

As letras foram elaboradas essencialmente pelos próprios militares, tendo sido efectuadas algumas gravações privadas [cassetes] que foram circulando rápida e clandestinamente entre os militares de outras zonas da guerra.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Cancela Tropa - uma história quase real da C. Caç. 4242 que prestou serviço militar em Mandimba, no Niassa, Moçambique em 1972/74

Operação militar

Informações do pessoal da DGS [Pide] indicaram a passagem de um grupo de cerca de 50 Turras, no sentido E-W, com origem na margem norte do rio Luchímua e tendo como possível objectivo a reactivação da base situada, tempo atrás, nos montes Checulo.

[Enviadas tropas da C. Caç 4242 para neutralização do grupo IN e elaboração de relatório]

De início, o Cancela escrevera: [no relatório]

“Detectaram-se vários trilhos provenientes da passagem de uma pequena manada de elefantes, pois, junto ao rio e em locais mais húmidos da floresta, eram bem visíveis as pegadas dos ditos paquidermes. Não havia quaisquer sinais da passagem de seres humanos…”

[Tratava-se de uma autêntica hostilização às informações da Pide /Dgs, havia necessidade de rectificar o relatório, caso contrário...mudança de Sector]

sexta-feira, 30 de novembro de 2007