quarta-feira, 18 de março de 2026

Chineses ou Vietnamitas?

01MAR1974 
Um elemento feminino pertencente à povoação de Munhehere, raptado por um Grupo Inimigo em 27 FEV1974, conseguiu fugir. Informou NT [Nossas Tropas] do Destacamento de Belém que o referido Grupo IN era constituído por 50 elementos, na maioria armados e enquadrados por 4 elementos Chineses, vindos da zona do rio Lugenda, região coordenadas (1352.3606). Seguiram em direcção ao monte Mecongo, coordenadas (1356.3551), dirigindo-se para norte, tendo atravessado o rio Luchimua, coordenadas (1349,5.3551). Todos os elementos estavam fardados de verde, inclusivé os carregadores que transportavam material.”
In Historia da Companhia
CAÇ 4242 – Xeque Mate

quinta-feira, 5 de março de 2026

Os Cus de Judas



“(….) - Se fosse, dava-lhe um tiro nos tomates. O burocrata idoso que seguia à minha frente voltou-se para trás assarapantado, uma senhora disse para outra Chegam todos assim lá de África, coitadinhos, e eu senti que me olhavam como se olham os aleijados que rastejam de muletas nas cercanias do Hospital Militar, sapos coxos fabricados pela estupidez do Estado Novo, que ao fim da tarde, no Verão, escondiam os cotos envergonhados nas mangas das camisolas, pombos doentes pousados nos bancos do Jardim da Estrela, ou misturando-se com as prostitutas que na Rua Artilharia Um roçam as ancas ossudas pelos Mercedes a diesel de construtores civis de fósforo nos dentes, a suarem de cio sob os chapéus tiroleses. (…)”
António Lobo Antunes, Os Cus de Judas, Pag. 103, Publicações Dom Quixote

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

D. Eurico Dias Nogueira, Bispo de Vila Cabral

"D. Eurico Dias Nogueira teve vários contactos com dirigentes da Frelimo e designadamente com Sebastião Mabote, um dos míticos chefes da guerrilha e que viria a ser vice-ministro da Defesa.
Um desses contactos é documentado num relatório da PIDE, de 14 de Outubro de 1968, com o título «O Prelado da Diocese de Vila Cabral perante a Frelimo». Da autoria da delegação de Moçambique e com a classificação de A-1 (máxima fidedignidade), foi dado a conhecer ao novo Presidente do Conselho, Marcello Caetano, bem como aos ministros do Ultramar (Silva Cunha) e Defesa (general Sá Viana Rebelo).
Diz o relatório que, a 1 de Abril, no decorrer de um ataque à base da Frelimo na província do Niassa, «foram encontrados e capturados vários documentos», entre eles uma carta dirigida a um tal «BX», que a polícia tem como certo tratar-se de D. Eurico.
Procurando aprofundar esta pista, a PIDE indagou junto de um «destacado terrorista da Frelimo, Subchefe do Sector ou Zona B – Distrito de Mandimba, com sede na Base Catur». O relatório não esclarece os meios utilizados para a obtenção das informações - apenas faz o relato daquele dirigente. Assim, e a fazer fé neste relato, o bispo «vem mantendo contactos directos com chefes da Frelimo» desde 1966. Nesse ano, o prelado «teve um encontro em Vila Cabral com o então Chefe da Base de Instrução de Chala, de nome Horácio Nunes, natural da Zambézia. Tal encontro foi comunicado ao Sebastião Mabote», chefe operacional do Niassa, «que mandou uma carta» a D. Eurico através do mesmo Horácio Nunes.
A PIDE nada adianta sobre o conteúdo da carta de Mabote, que, após a independência de Moçambique, em 1975, viria a ocupar os cargos de vice-ministro da Defesa e Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. No entanto, é provável que seja a carta que viria a ser publicada em 1995 por D. Eurico no seu livro de memórias «Episódios da Minha Missão em África» (págs. 81 e 82). Vale a pena citar na íntegra: «Desde há tempos que desejo ter uma conversa pacífica com você», escreve Mabote. «Mas não tenho conseguido, porque a tropa fascista, colonialista e imperialista de Salazar não nos permite tranquilidade nessa sua área. Mas se você indicar uma base de segurança, eu enviarei um emissário para combinar o encontro. Entretanto, para prova do seu espírito internacionalista, mande pelo portador um garrafão de cinco litros de vinho, para festejarmos o próximo aniversário do início da nossa luta.»"
site de Dornelas do Zêzere


domingo, 1 de fevereiro de 2026

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Horas de descontracção na "Cantina Gomes", nosso grande amigo indiano

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

ALMOÇO CONVÍVIO 2026

CONVOCATÓRIA ALMOÇO CONVÍVIO MILITARES DA C. CAC. 4242 E SEUS FAMILIARES OBJECTICOS: reencontro, amizade e partilha: Recordar os ausentes e falecidos - DATA: sábado - 6 de junho de 2026 - ONDE? Restaurante Maurício dos Leitões. - Orientação pelo GPS do telemóvel - ORGANIZAÇÃO: Milton Mota, tel. 962871880 – mail: milton.o.mota@gmail.com Inscreve-te!

domingo, 11 de janeiro de 2026

UM POUCO DE HISTÓRIA

(…) Naquela espécie de guerra, não se empregavam grandes corpos militares. A única táctica, por outras palavras, a unidade combatente, era a companhia, e foram por isso os capitães, comandantes das companhias, que desde o princípio suportaram o peso das operações. Os oficiais dos postos superiores poucas vezes saíam dos quartéis e a maior parte nem saía das cidades. Esta circunstância provocou no exército uma divisão entre aqueles que faziam a guerra “no mato” e aqueles que a faziam “no ar condicionado”. Uns e outros detestavam-se e essa hostilidade transformou-se em pura indisciplina. A frase “Vai para o mato, malandro!” rosnada e berrada pelos quartéis e acompanhamentos nas costas dos oficiais superiores, resume o estado de espírito geral. Em 1973, havia já militares que fingiam apenas cumprir missões, que se afastavam deliberadamente das áreas de risco ou que entravam em tréguas sub-reptícias com as guerrilhas do setor. Vasco Pulido Valente, Portugal e Ensaios de História e Política, Aletheia Editores

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

BOAS FESTAS

A todos os militares da Companhia de Caçadores 4242 e familiares.
Que esta quadra festiva seja marcada por união, espírito de camaradagem e renovação de forças.
Que o Natal traga paz aos lares, saúde às famílias e orgulho pelo dever cumprido. E que o Ano Novo venha repleto de sucessos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

sábado, 18 de outubro de 2025

O regresso dos Soldados 19 de outubro 1974

A foto ilustra o regresso dos Soldados da C. Cac. 4242 que cumpriram a sua missão em Mandimba, Niassa, na fronteira com o Malawi e rumo à Metrópole. Uma longa jornada e quase 2 anos perdidos nas nossas vidas. Abraço para todos os militares do Xeque Mate nos 51 anos de regresso daquelas terras do norte de Moçambique, não esquecendo os companheiros já falecidos. Niassa é terra brava – tem mais feras que homens, montanhas incontornáveis e rios intransponíveis. O norte de Moçambique não era para turistas, era para resistentes a cumprir uma missão: defender o Império – Portugal ia do Minho a Timor. Quando Livingstone, o primeiro ocidental que desbravou aquelas paragens, no sec. XIX, pisou as terras vermelhas do Niassa, percebeu estar em solo especial e relatou: a Levante do Lago Niassa, lá onde os rios Rovuma e Lugenda confluem, estão as terras do fim do mundo.

sábado, 20 de setembro de 2025

MANDIMBA 2025

https://www.youtube.com/watch?v=xthsRqAe6Sk Vídeo enviado pelo Mota. Aos 2 minutos do decorrer do vídeo, no local das bombas de combustível, era o nosso Quartel. No lado oposto era a Administração.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

PARABÉNS SILVA

Como bem lembrou o Adão Braga, hoje é o aniversário do Silva. Parabéns e um abraço de todos os companheiros da CCA 4242. Saúde.

sábado, 21 de junho de 2025

DISCURSO DO MIGUEL SIMAS NO CONVÍVIO DO DIA 14 DE JUNHO

Caros Companheiros de Armas, Minhas Senhoras e meus Senhores, Eu e a minha Companheira Ana, que também foi expedicionária em Mandimba, apresentamos as nossas melhores saudações a todos os presentes que se dignaram aqui vir, para convivermos e assim, para alguns, continuarmos a cimentar uma amizade de mais de cinquenta anos. Atualmente vivemos num Mundo cada vez mais desumano onde a Vida não tem qualquer valor. Liquidam-se pessoas como se matam baratas e, pasme-se, alguns dos nossos contemporâneos se autodestroem consumindo substâncias aditivas que os conduzem inevitavelmente à sua morte. As guerras de hoje são feitas por “guerreiros corajosos” sentados nas suas poltronas que, manuseando equipamentos tipo “matraquilhos”, conseguem destruir individualidades a centenas ou mesmo milhares de quilómetros de distância. Até as guerras do nosso tempo eram mais humanas. Andávamos nós atrás deles e eles atrás de nós e, felizmente, poucas vezes nos encontrávamos. As sempre traiçoeiras minas é que nos arreliavam pelos estragos causados e pelo facto de não vermos a cara ou as caras de quem as tinha colocado! Periodicamente a Humanidade começa a criar e a desenvolver relações, em que o ódio vem sempre em crescendo, culminando em confrontos bárbaros onde são eliminadas milhares de vidas. Foi assim em 1914, foi assim em 1940 e estamos outra vez metidos noutra! Se as duas primeiras guerras mundiais foram devastadoras esta que agora se prevê sê-lo-á ainda mais tal a sofisticação e eficácia das armas atuais. Caros Companheiros, A nossa passagem por África deixou-nos marcas indeléveis. Na semana passada a Ana veio fechar o portão depois de eu ter saído com o carro. Voltei a casa para apanhar algo que me tinha esquecido e vi-a com as lágrimas nos olhos! Disse-me ela: já viste passou agora aqui uma Berliet com o se potente motos a roncar e, sem eu querer, vieram-me as lágrimas aos olhos! Reminiscências da nossa vivência em Moçambique! Ultimamente temos vindo todos os anos a este convívio e, cada vez que cá venho, sinto-me dois anos mais novo. Assim continuando tornar-me-ei imortal! Companheiros, votos de um bom convívio, de uma boa refeição e um bom regresso de todos nós às nossas casas. Obrigado ao Milton Mota e à Solene pela brilhante organização deste evento. Haja saúde para todos e até para o ano! Miguel M. Simas. Restaurante Maurício, Aguim, Anadia, 14-06-2025