sábado, 9 de maio de 2026
Abílio Rodrigues - BAIÃO
Caros leitores desta página deste blogue da CCAC. 4242, tenho a comunicar que se encontra em franca recuperação, após acidente de viação, o nosso camarada Abílio Rodrigues "BAIÃO", a quem desejamos as rápidas melhoras. Em nome dos companheiros que não militam nas redes sociais, endereço um abraço.
quinta-feira, 2 de abril de 2026
O valor das coisas, diz o Mota
O valor das coisas.
Ao falar em Lissiete lembra-me quando cheguei ao quartel de Mandimba, precisamente no início de Setembro de 1973, depois de um mês de férias em Portugal. Um mês bem comido e melhor bebido. Quando o nosso saudoso 2.º sargento Castro me vê regressar e diz "Motinha - agora que já não está entre nós quem me vai chamar de Motinha ?!...- anda receber que estamos a pagar os ordenados"; lá fui e além do ordenado também recebi o subsídio de férias que deu a módica quantia de aproximadamente 8 contos - muito dinheiro ao tempo, o equivalente aos actuais 40 euros.
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| Foto do álbum do Silva que mora em Espariz, Tábua |
Meti o dinheiro no bolso e dirijo-me para o quarto quando me aparece pela frente o nosso capitão Nunes: "Mota, o teu grupo (GEs) está para sair para a Serra Lissiette, era melhor também ires, a informação da PIDE é que há grupos IN na zona."
Foi pegar na G3 e pouco mais, e lá fui, só que para onde fui não havia água, pois estávamos na época seca, e aqui começa a História: água nem vê-la mas havia 8 contos no bolso, que fazer com 8 contos? Naquela hora quanto dava por uma cerveja? 8 contos! Mas como não havia cerveja, limitei-me, passadas muitas horas, a beber água das poças das pegadas dos elefantes com muitos bichinhos a rabear.
Claro que quando cheguei ao quartel não gastei os 8 contos em cerveja, mas para matar aquela bicharada que ainda andava a rabear no estômago lá bebi a quantia devida (receita do furriel Simão enfermeiro: 10 cervejas) e muitos Whiskies.
Moral da história: no meio da floresta do NIASSA, naquelas terras do fim do mundo, o dinheiro não valia nada.
quarta-feira, 18 de março de 2026
Chineses ou Vietnamitas?
“01MAR1974
Um elemento feminino pertencente à povoação de Munhehere, raptado por um Grupo Inimigo em 27 FEV1974, conseguiu fugir. Informou NT [Nossas Tropas] do Destacamento de Belém que o referido Grupo IN era constituído por 50 elementos, na maioria armados e enquadrados por 4 elementos Chineses, vindos da zona do rio Lugenda, região coordenadas (1352.3606). Seguiram em direcção ao monte Mecongo, coordenadas (1356.3551), dirigindo-se para norte, tendo atravessado o rio Luchimua, coordenadas (1349,5.3551). Todos os elementos estavam fardados de verde, inclusivé os carregadores que transportavam material.”
In Historia da Companhia
CAÇ 4242 – Xeque Mate
Um elemento feminino pertencente à povoação de Munhehere, raptado por um Grupo Inimigo em 27 FEV1974, conseguiu fugir. Informou NT [Nossas Tropas] do Destacamento de Belém que o referido Grupo IN era constituído por 50 elementos, na maioria armados e enquadrados por 4 elementos Chineses, vindos da zona do rio Lugenda, região coordenadas (1352.3606). Seguiram em direcção ao monte Mecongo, coordenadas (1356.3551), dirigindo-se para norte, tendo atravessado o rio Luchimua, coordenadas (1349,5.3551). Todos os elementos estavam fardados de verde, inclusivé os carregadores que transportavam material.”
In Historia da Companhia
CAÇ 4242 – Xeque Mate
sexta-feira, 13 de março de 2026
quinta-feira, 5 de março de 2026
Os Cus de Judas
António Lobo Antunes, Os Cus de Judas, Pag. 103, Publicações Dom Quixote
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
D. Eurico Dias Nogueira, Bispo de Vila Cabral
"D. Eurico Dias Nogueira teve vários contactos com dirigentes da Frelimo e designadamente com Sebastião Mabote, um dos míticos chefes da guerrilha e que viria a ser vice-ministro da Defesa.
Um desses contactos é documentado num relatório da PIDE, de 14 de Outubro de 1968, com o título «O Prelado da Diocese de Vila Cabral perante a Frelimo». Da autoria da delegação de Moçambique e com a classificação de A-1 (máxima fidedignidade), foi dado a conhecer ao novo Presidente do Conselho, Marcello Caetano, bem como aos ministros do Ultramar (Silva Cunha) e Defesa (general Sá Viana Rebelo).
Diz o relatório que, a 1 de Abril, no decorrer de um ataque à base da Frelimo na província do Niassa, «foram encontrados e capturados vários documentos», entre eles uma carta dirigida a um tal «BX», que a polícia tem como certo tratar-se de D. Eurico.
Procurando aprofundar esta pista, a PIDE indagou junto de um «destacado terrorista da Frelimo, Subchefe do Sector ou Zona B – Distrito de Mandimba, com sede na Base Catur». O relatório não esclarece os meios utilizados para a obtenção das informações - apenas faz o relato daquele dirigente. Assim, e a fazer fé neste relato, o bispo «vem mantendo contactos directos com chefes da Frelimo» desde 1966. Nesse ano, o prelado «teve um encontro em Vila Cabral com o então Chefe da Base de Instrução de Chala, de nome Horácio Nunes, natural da Zambézia. Tal encontro foi comunicado ao Sebastião Mabote», chefe operacional do Niassa, «que mandou uma carta» a D. Eurico através do mesmo Horácio Nunes.
A PIDE nada adianta sobre o conteúdo da carta de Mabote, que, após a independência de Moçambique, em 1975, viria a ocupar os cargos de vice-ministro da Defesa e Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. No entanto, é provável que seja a carta que viria a ser publicada em 1995 por D. Eurico no seu livro de memórias «Episódios da Minha Missão em África» (págs. 81 e 82). Vale a pena citar na íntegra: «Desde há tempos que desejo ter uma conversa pacífica com você», escreve Mabote. «Mas não tenho conseguido, porque a tropa fascista, colonialista e imperialista de Salazar não nos permite tranquilidade nessa sua área. Mas se você indicar uma base de segurança, eu enviarei um emissário para combinar o encontro. Entretanto, para prova do seu espírito internacionalista, mande pelo portador um garrafão de cinco litros de vinho, para festejarmos o próximo aniversário do início da nossa luta.»"site de Dornelas do Zêzere
domingo, 1 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
ALMOÇO CONVÍVIO 2026
CONVOCATÓRIA ALMOÇO CONVÍVIO MILITARES DA C. CAC. 4242 E SEUS FAMILIARES
OBJECTICOS: reencontro, amizade e partilha: Recordar os ausentes e falecidos
- DATA: sábado - 6 de junho de 2026
- ONDE? Restaurante Maurício dos Leitões. - Orientação pelo GPS do telemóvel
- ORGANIZAÇÃO: Milton Mota, tel. 962871880 – mail: milton.o.mota@gmail.com
Inscreve-te!
domingo, 11 de janeiro de 2026
UM POUCO DE HISTÓRIA
(…) Naquela espécie de guerra, não se empregavam grandes corpos militares. A única táctica, por outras palavras, a unidade combatente, era a companhia, e foram por isso os capitães, comandantes das companhias, que desde o princípio suportaram o peso das operações. Os oficiais dos postos superiores poucas vezes saíam dos quartéis e a maior parte nem saía das cidades.
Esta circunstância provocou no exército uma divisão entre aqueles que faziam a guerra “no mato” e aqueles que a faziam “no ar condicionado”.
Uns e outros detestavam-se e essa hostilidade transformou-se em pura indisciplina. A frase “Vai para o mato, malandro!” rosnada e berrada pelos quartéis e acompanhamentos nas costas dos oficiais superiores, resume o estado de espírito geral. Em 1973, havia já militares que fingiam apenas cumprir missões, que se afastavam deliberadamente das áreas de risco ou que entravam em tréguas sub-reptícias com as guerrilhas do setor.
Vasco Pulido Valente, Portugal e Ensaios de História e Política, Aletheia Editores
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