segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Outra forma de exploração e aproveitamento dos militares

Valia tudo, até explorar o sentimento de insegurança e perda dos militares do Ultramar!
Para ver melhor clique na imagem.

domingo, 21 de outubro de 2007

Foto do director deste Blogue, tirada em Meponda, muito perto do Lago Amaramba (Mandimba)

Em Baixo, da esq. p. a direita: Cardoso e Nisa; em cima, pela mesma ordem: Costa, Silva e Almeida (Psícola).
São militares da Companhia de Caçadores 4242, que prestou serviço militar em Mandimba, Niassa, Moçambique, de 1972/74.
Tinham 20-22 anos; uns jovens despreocupados, que me ajudavam a fazer a acção psicológica [Psico]...e a beber uns copos na Cantina Gomes!
Um abraço especial ao Costa.

domingo, 12 de agosto de 2007

No centenário do nascimento de Miguel Torga

A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Mensagem do Simas - de Lissiete a Namicoio Velho

Caros Companheiros de Armas.
Como sabemos foi produzida uma História da CCAÇ 4242, relatando algumas operações e acontecimentos ocorridos durante a nossa expedição Militar em Moçambique, entre Novembro de 1972 e Novembro de 1974, muito espartilhada e mais de acordo com os preceitos e regras militares de então do que com a verdadeira realidade dos acontecimentos.
Tínhamos que parecer bons soldadinhos a fim de evitar-se um castigo que seria eventualmente a nossa transferência para uma zona mais “quente” naquele teatro de guerra.
Vem isto a propósito de um extracto do relatório da acção da Lissiete a Namicoio, publicada pelo nosso incansável director Almeida Psicola na página da nossa Companhia e que, a meu ver, contendo algumas inverdades, para bem da verdade e pelo respeito devido a todos os intervenientes, deverei acrescentar o seguinte:
1 – Tínhamos saído do quartel pelas 05H30 e após quatro horas de trajecto, numa picada que não passavam viaturas há cerca de seis anos, não ia à frente qualquer equipa a fazer a picagem. Na frente da viatura ia o condutor, eu e o Roxo e na caixa, devidamente reforçada com sacos de areia, vinha o resto do 1º Pelotão.
O capim era mais alto que a viatura e os dois trilhos do rodado mal se viam.
A roda traseira do lado direito pisou uma mina anti carro TM 46 de fabrico americano. A jante e a borracha do pneu, reforçada com rede de aço, desapareceram vendo-se apenas algumas fitas que nem davam para fazer umas solas de sandália.
2 – Depois do enorme estrondo os companheiros começaram instintivamente a disparar as armas, ao que julgo, sem saberem para onde.
O pessoal que se encontrava operacional montou a segurança e prestou assistência aos mais abalados, que foram mais do foro psicológico e da coluna. Recordo-me que o soldado “Checa”, natural de Sintra, ficou bastante abalado pois que não reagiam ao que se passava à sua volta.
Ao Racal, o já falecido Fevereiro, fartava-se de chamar o Tabefe para anunciar o rebentamento de uma MIKE na PAPÁ mas, … nada. Então ele informa que o rádio, que apresentava uma grande amolgadela, não funcionava porque tinha eventualmente o cristal de frequência partido.
O Comandante do grupo deu-me então ordens para eu regressar a pé até à Companhia trazer a notícia e pedir auxílio. Insurgi-me dizendo que seria perigosíssimo pois que, estando a nossa presença denunciada, correríamos o risco de facilmente sermos apanhados à mão pelo IN.
Perante a insistência da ordem disse que só viria com uma secção o que me foi recusado, atendendo à necessidade de manter segurança à viatura, tendo-me sido permitido apenas vir com mais dois elementos.
Verificando-se a ausência de voluntários escolhi, se a memória não me falha, o cabo Polido e o soldado Lamego que, com alguma renitência aceitaram a missão.
3 –O regresso dos três ao quartel iniciou-se cerca do meio dia só com as G3 e sem qualquer meio de comunicação.
Estava a anoitecer, talvez cerca das 19H00, e estávamos a chegar ao aldeamento da Lissiete, quando nos deparamos com a vinda de uma Berliet do destacamento de Belém pois  que as nossas estavam avariadas.
4 -  Aí tomamos conhecimento que o Fevereiro conseguira falar para uma Companhia de Cabo Delgado que recebendo a mensagem a retransmitiu para a CCAÇ 4242, informando também que haviam três malucos a caminhar a pé, em direcção ao quartel o que, sendo noite, minimizou os riscos da aproximação à viatura.
5 – Confrontados com a solicitação de informação de como chegar à viatura acidentada e sem qualquer resposta possível não só pela altura do capim mas também por ser noite, por sinal bastante escura, e também por uma questão de solidariedade para com os companheiros que lá estavam, subimos para a viatura, Deus sabe com que forças, para regressarmos ao local do acidente.
6 – Lá chegados a Berliet de Belém fez a inversão de marcha, carregaram-se os feridos e o pessoal restante do 1º pelotão de regresso ao quartel tendo ficado o grupo de Belém a manter a segurança à viatura que demorou, por falta de peças, dois ou até mesmo três dias a ser reparada no local.
Tratava-se de um sítio muito isolado e, com o vai e vem de viaturas e de pessoas, a Frelimo, se quisesse e ou pudesse, poderia ter provocado danos muito maiores que, felizmente, não aconteceram.
Aqui fica este pobre mas sentido depoimento de quem viveu muitos momentos da referida operação e que, no fundo, pretende apenas fazer justiça a todos os que nela participaram mormente ao Cabo Polido e ao soldado Lamego pela coragem demonstrada.
Como poderão verificar qualquer semelhança desta crónica com o relato oficial é pura coincidência.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

"Conselhos ao Soldados do Ultramar"

“Em época de informação controlada pela censura e propaganda, transformar jovens europeus, camponeses e citadinos, em soldados capazes de viver e combater nos teatros africanos exigia o recurso a todos os meios, incluindo a arte e o humor.”
[D. N. Guerra Colonial: pag. 472 e 473] Clik na imagem para ampliar

terça-feira, 24 de julho de 2007

AEROGRAMAS - UMA FORMA (quase única ) DE CORRESPONDÊNCIA



SPM 6944 - ERA O CÓDIGO POSTAL (Serviço Postal Militar) DA C CAÇ 4242 - MANDIMBA

AEROGRAMAS

O Movimento Nacional Feminino (MNF) – estrutura do Estado Novo – foi o criador dos Aerogramas, com a finalidade de apoiar moral e socialmente os militares em serviço no Ultramar e suas famílias, muitas vezes com acções populares a que não faltava o cunho da demagogia.

Ao MNF se deve, pois, o lançamento dos aerogramas, alcunhados de “bate-estradas”, que constituíam o meio mais difundido de correspondência entre os militares e as suas famílias.

Destes aerogramas, cujo fornecimento e transporte era gratuito para os militares, estima-se que tenham sido impressos cerca de 300 milhões.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Tudo como dantes...quartel em Mandimba

Algures nos anos de 1972/74, em Moçambique já havia minis, e coca-cola e pepsi-cola.
Eram danados para elas! Elas, as 2M, Laurentina e Manica. De quando em vez vinham as bazukas.
Na foto, o nosso director (à esquerda) e o Azevedo.
Uns bacanos.

domingo, 15 de julho de 2007

Fernando Pessoa

HORIZONTE

Ò mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa —
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte —
Os beijos merecidos da Verdade.

O menino da sua mãe

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe

Fernando Pessoa

sábado, 14 de julho de 2007

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

(...)

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio

Observe esta foto e a seguinte. Veja as diferenças...