sexta-feira, 8 de maio de 2015

Operação Catur

25JAN1974
Após interrogatório sumário, o guerrilheiro apresentado, MANUEL MAIROSSE, declarou pertencer à BASE CATUR e fazer parte de um GR IN de 25 elementos armados. Eram portadores de 19 “KALASHNIKOV”, 1 “BASOOKA”, 1 “OPSH” e 6 “SIMONOV”. Transportavam 2 minas A/C, muito material para destruição das LCF [Linha Caminho de Ferro] e muitas minas A/P. Declarou existir depósito de material em TN [Território Nosso] na região coordenadas [1353.3543,5].
NT [Nossas Tropas] seguem para a referida região a fim de tentar capturar material existente e tentar interceptar restantes elementos do Grupo acima referido.
In História da Companhia 4242

sexta-feira, 17 de abril de 2015

30º CONVÍVIO C. CAÇ. 4242 EM 2015

PAULO RATO e
ANTÓNIO CARROLA
São os organizadores do
 convívio 2015
O 30º Convívio da C. CAÇ. 4242, a realizar em data a anunciar, será organizado na Covilhã pelos nossos companheiros Paulo Rato e António Carrola
Aguardem novas informações.
O Paulo Rato mora na Vila do Carvalho, Covilhã e o António Carrola mora em Unhais da Serra, Covilhã.
É de louvar e incentivar a iniciativa e abnegação de todos quantos já organizaram encontros anteriores.
Um agradecimento a todos.





sexta-feira, 10 de abril de 2015

Aquela fita...

"(…) -  Sentem-se – disse o Capitão. – Temos uma grande merda entre as mãos.
- Mas o que é que tu [capitão] querias, se tens o cu colado a essa cadeira, com as mãos por baixo? – espicaçou o Bernardo.
- Segundo as notícias que nos chegaram da DGS [pide], há a informação da passagem de um grupo de turras pelo norte do rio Luchímua, dirigindo-se para os montes Checulo. Vão seguir o 2º, 3º e 4º, e dois pelotões de GE. Tendes aqui as coordenadas. Comandará a operação o Cancela. Desenmerdem-se... E preparou-se para sair, quando pegou na boina. Mas, antes de chegar à porta:
Ruínas do Quartel em Mandimba
- Falem com os Furriéis, mas nada digam aos soldados. Eles receberão as rações de combate, para quatro dias quando estiverem no refeitório, após o que arrancam logo. A operação não será indicada a ninguém, nem mesmo aos guias. Entendido? – E saiu.
- Mas que grande merda. E logo aquele ventas de cu  havia de se lembrar de nos mandar para o mato na altura do filme que vai dar na Administração – vociferou o alferes Checa (…). "

(Cancela Tropa – O Uivo da Dgs - História quase real de um militar da c. caç 4242)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

NAPULO ou SAMBA

24OUT1973 – (…) Amanhã tenho que me levantar cedo para uma saída distante do quartel de Mandimba. Objectivo: uma povoação perto da fronteira com o Malawi, na ponta final da nossa zona de acção. Levo rações de combate para distribuir pela população, gasóleo para fazerem as lamparinas de iluminação e distribuir e colar cartazes de acção psicológica, pois é esta a minha missão, sendo a de maior responsabilidade o controlo das armas [mauser] distribuídas a elementos dos vários aldeamentos. São distribuídas 5 munições [five polopolu], para caça, por mês, a cada elemento, sendo que a dotação de 20 munições de reserva são intocáveis, em caso de defesa. Cada dia da semana vou a diversos locais [centros de instrução] mandar limpar as ditas armas e inspeccionar as mesmas. (…)
Diário de um militar da C. Caç. 4242

terça-feira, 10 de março de 2015

NANICO 79 e 80

NANICO 79 - 01JUL1974 - LINCE
Batida  na região entre os rios Lassalumué, Luchímua, Luchete e linha do caminho de ferro (Belém- Catur), com montagem de emboscadas no trilho Muambico, lançamento de pessoal na ponte do rio Luchímua e recolha na Cantina Viegas, por 5 dias.
Mandimba - ao longe os montes
 do Malawi
NANICO 80 - 04JUL1974 - COBRA
Nomadização entre os rios Mapulázia, Luchímua e nascente do rio Lissimba, com montagem  de emboscadas no rio Luchímua, em locais de possível travessia do inimigo e batida ao monte Mecongo. Lançamento de pessoal na ponte do rio Luchímua e recolha na zona do Juma, por 7 dias.
Mapa de Muambico
História da Companhia, pag. 173

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Minas, guerra subterrânea

18FEV1973 - Saída de 2 secções comandadas pelo alf. mil. F,,,,. A deslocação foi feita de unimog 404 no percurso de 4 km e depois em patrulha apeada. Chegados ao obectivo, foi montada segurança  para a desactivação e recolha de uma granada de lança granadas foguete do inimigo e o comandante, com o auxílio de uma corda, puxou a granada num espaço 
03MAR1973
de 5 metros, verificando não estar armadilhada, levantando-a à mão. Chegados ao aquartelamento, pelas 16,30 h, foi dado conhecimento à  Caç. de Marrupa e ao BCAV 3880, por intermédio da MSG conf. 19-D-73. Por falta de meios para a destruir (granada), foi transportada até Mandimba, em 02MAR1973. Em 03MAR1973, quando o furriel V.... foi buscar a granada para se proceder ao seu rebentamento, a mesma rebentou no seu quarto causando-lhe ferimentos graves  e diversos estragos materiais.
In História da Companhia, pag. 32.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Aldeia de leprosos - M`Papa

Para a Aldeia de M´papa, distrito de Mandimba, a cerca de 150 quilómetros da cidade de Lichinga (antiga Vila Cabral), começaram a ser evacuados doentes de lepra, oriundos de vários pontos do país (Moçambique), ficando concentrados naquela aldeia.
Foto do álbum do Silva que mora
 em Espariz, Tábua
Decorridos mais de 40 anos ainda nos lembramos, - nós militares da C. caç 4242, - que uma das iniciativas da acção psicológica era ir visitar aquela aldeia, muito perto do nosso quartel em Mandimba, Niassa, nos anos de 1972/74, levando algo de útil para aqueles habitantes, nomeadamente latas de conserva das rações de combate para alimentação, gasóleo e desperdício para iluminação - não existia energia eléctrica.
Viviam na Aldeia de M´papa 536 doentes de lepra, muitos dos quais com graves sequelas causadas pela doença, desde mutilações a sérios problemas da vista. Alguns morreram ao longo dos anos, mas outros, muitos, talvez a maioria, ainda vivem em M´papa.
O termo lepra, deriva do grego “Iepein”, que traduzido para a língua portuguesa significa “descamar-se”. O bacilo ataca os tecidos, consumindo as mãos e os pés, o nariz, os olhos, etc…

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

OPERAÇÃO MACACO

Estamos em Janeiro de 1973; estou a gozar de mais uma manhã daquele clima maravilhoso, devidamente instalado no parrô, de guarda aos morteiros (ah! ah! ah!), aparentemente essa iria ser a minha missão durante todo o tempo que a C. Caç. 4242 estivesse em Mandimba, quando entra pela porta de armas o famoso Ferrão, chefe da Pide local, ao entrar no quartel pouco faltou para levar a cancela da porta de armas em frente, tal era a pressa, com mais uma informação que em tal parte do rio tal estava a passar um grupo inimigo.
Chegada a dita informação ao cap. Nunes e como não tinha mais nenhum grupo de combate no quartel, lá foi o furriel Milton Mota com meia dúzia de soldados para a dita operação.
Chegados ao local, deparo com pegadas que me pareciam de pessoas mas que afinal eram de macacos!...
Seguimos a marcha, quando chegou a hora de almoço e nos preparávamos para abrir aquelas latas de conservas, deparo com alguns dos meus companheiros a tirar as calças!...O que era?... Aquelas famosas formiguinhas que só mordem quando lhes cheira a "tomates".
Então começo a pensar com os meus botões que devido à minha falta de conhecimentos da realidade quem era a selva africana, o melhor era ir para os GE´s porque eles é que conheciam todas as armadilhas da Natureza daquelas terras, tais como cobras, escorpiões, onde não havia água, etc.
Macacadas do Mota
E assim acabou o meu descanso de guardar os morteiros e lá segui para o Dondo onde estive 2 meses, voltando para junto dos meus camaradas e amigos da C. Caç. 4242.
Um abraço para todos.
Milton Mota

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Coisas simples aos domingos

29 SET.1973 - Hoje, domingo, recebi o Século Ilustrado. O Sol varreu as nuvens da noite e resplandece nos telhados de zinco das casernas e até o mastro da Bandeira parece mais alto. À porta de armas surge um unimog com lotação esgotada. São GEs que vão iniciar uma operação sob as ordens do furriel Milton que, com abnegação, comandará a operação.
Surgem o Vigário com um papel na mão - o Veiga viria mais tarde para este planalto do Niassa. O Carrola manda o corneteiro tocar qualquer coisa a que ninguém liga. O Rato providencia as viaturas. O Paixão fala fala numa linguagem cifrada "sitrep", o Silva ralha com o capitão, este com o "Checa", o macaquito salta para o telhado de zinco...Outros militares juntam-se na parada: Ferreira, Teixeira, Azevedo, Cerqueira, Fernandes, Macedo I e II, José João, Meira, Padeiro, Fevereiro, Roxo, Belé, L. Marques, Baião...
...E vamos passando o (outro) tempo livre a ler e com algumas patuscadas. Somos um grupo diversificado e porreiro. Dois companheiros furriéis são dos Açores - gente boa. O sargento trouxe de Chaves um presunto e estivemos a tratar da operação. No próximo mês parte um furriel de férias para Lisboa e vai casar-se.
É este o  nosso dia a dia, para não falar em coisas tristes de guerra.
Diário de um militar da C. Caç. 4242