24OUT1973 – (…) Amanhã tenho que
me levantar cedo para uma saída distante do quartel de Mandimba. Objectivo: uma
povoação perto da fronteira com o Malawi, na ponta final da nossa zona de
acção. Levo rações de combate para distribuir pela população, gasóleo para fazerem as lamparinas de iluminação e distribuir e colar cartazes de acção
psicológica, pois é esta a minha missão, sendo a de maior responsabilidade o
controlo das armas [mauser] distribuídas a elementos dos vários aldeamentos.
São distribuídas 5 munições [five polopolu], para caça, por mês, a cada
elemento, sendo que a dotação de 20 munições de reserva são intocáveis, em caso de defesa. Cada dia da semana vou a diversos locais [centros de
instrução] mandar limpar as ditas armas e inspeccionar as mesmas. (…)
Diário de um militar da C. Caç. 4242quinta-feira, 2 de abril de 2015
quinta-feira, 19 de março de 2015
terça-feira, 10 de março de 2015
NANICO 79 e 80
NANICO 79 - 01JUL1974 - LINCE
Batida na região entre os rios Lassalumué, Luchímua, Luchete e linha do caminho de ferro (Belém- Catur), com montagem de emboscadas no trilho Muambico, lançamento de pessoal na ponte do rio Luchímua e recolha na Cantina Viegas, por 5 dias.
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| Mandimba - ao longe os montes do Malawi |
NANICO 80 - 04JUL1974 - COBRA
Nomadização entre os rios Mapulázia, Luchímua e nascente do rio Lissimba, com montagem de emboscadas no rio Luchímua, em locais de possível travessia do inimigo e batida ao monte Mecongo. Lançamento de pessoal na ponte do rio Luchímua e recolha na zona do Juma, por 7 dias.
Mapa de Muambico
Mapa de Muambico
História da Companhia, pag. 173
sexta-feira, 6 de março de 2015
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Minas, guerra subterrânea
18FEV1973 - Saída de 2 secções comandadas pelo alf. mil. F,,,,. A deslocação foi feita de unimog 404 no percurso de 4 km e depois em patrulha apeada. Chegados ao obectivo, foi montada segurança para a desactivação e recolha de uma granada de lança granadas foguete do inimigo e o comandante, com o auxílio de uma corda, puxou a granada num espaço
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| 03MAR1973 |
de 5 metros, verificando não estar armadilhada, levantando-a à mão. Chegados ao aquartelamento, pelas 16,30 h, foi dado conhecimento à Caç. de Marrupa e ao BCAV 3880, por intermédio da MSG conf. 19-D-73. Por falta de meios para a destruir (granada), foi transportada até Mandimba, em 02MAR1973. Em 03MAR1973, quando o furriel V.... foi buscar a granada para se proceder ao seu rebentamento, a mesma rebentou no seu quarto causando-lhe ferimentos graves e diversos estragos materiais.
In História da Companhia, pag. 32.sábado, 14 de fevereiro de 2015
Aldeia de leprosos - M`Papa
Para a Aldeia de M´papa, distrito de Mandimba, a cerca de 150 quilómetros da cidade de Lichinga (antiga Vila Cabral), começaram a ser evacuados doentes de lepra, oriundos de vários pontos do país (Moçambique), ficando concentrados naquela aldeia.
Decorridos mais de 40 anos ainda nos lembramos, - nós militares da C. caç 4242, - que uma das iniciativas da acção psicológica era ir visitar aquela aldeia, muito perto do nosso quartel em Mandimba, Niassa, nos anos de 1972/74, levando algo de útil para aqueles habitantes, nomeadamente latas de conserva das rações de combate para alimentação, gasóleo e desperdício para iluminação - não existia energia eléctrica.
Viviam na Aldeia de M´papa 536 doentes de lepra, muitos dos quais com graves sequelas causadas pela doença, desde mutilações a sérios problemas da vista. Alguns morreram ao longo dos anos, mas outros, muitos, talvez a maioria, ainda vivem em M´papa.
O termo lepra, deriva do grego “Iepein”, que traduzido para a língua portuguesa significa “descamar-se”. O bacilo ataca os tecidos, consumindo as mãos e os pés, o nariz, os olhos, etc…
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| Foto do álbum do Silva que mora em Espariz, Tábua |
Viviam na Aldeia de M´papa 536 doentes de lepra, muitos dos quais com graves sequelas causadas pela doença, desde mutilações a sérios problemas da vista. Alguns morreram ao longo dos anos, mas outros, muitos, talvez a maioria, ainda vivem em M´papa.
O termo lepra, deriva do grego “Iepein”, que traduzido para a língua portuguesa significa “descamar-se”. O bacilo ataca os tecidos, consumindo as mãos e os pés, o nariz, os olhos, etc…
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
domingo, 25 de janeiro de 2015
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
OPERAÇÃO MACACO
Estamos em Janeiro de 1973; estou a gozar de mais uma manhã daquele clima maravilhoso, devidamente instalado no parrô, de guarda aos morteiros (ah! ah! ah!), aparentemente essa iria ser a minha missão durante todo o tempo que a C. Caç. 4242 estivesse em Mandimba, quando entra pela porta de armas o famoso Ferrão, chefe da Pide local, ao entrar no quartel pouco faltou para levar a cancela da porta de armas em frente, tal era a pressa, com mais uma informação que em tal parte do rio tal estava a passar um grupo inimigo.
Chegada a dita informação ao cap. Nunes e como não tinha mais nenhum grupo de combate no quartel, lá foi o furriel Milton Mota com meia dúzia de soldados para a dita operação.
Chegados ao local, deparo com pegadas que me pareciam de pessoas mas que afinal eram de macacos!...
Seguimos a marcha, quando chegou a hora de almoço e nos preparávamos para abrir aquelas latas de conservas, deparo com alguns dos meus companheiros a tirar as calças!...O que era?... Aquelas famosas formiguinhas que só mordem quando lhes cheira a "tomates".
Então começo a pensar com os meus botões que devido à minha falta de conhecimentos da realidade quem era a selva africana, o melhor era ir para os GE´s porque eles é que conheciam todas as armadilhas da Natureza daquelas terras, tais como cobras, escorpiões, onde não havia água, etc.
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| Macacadas do Mota |
E assim acabou o meu descanso de guardar os morteiros e lá segui para o Dondo onde estive 2 meses, voltando para junto dos meus camaradas e amigos da C. Caç. 4242.
Um abraço para todos.
Milton Mota
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Coisas simples aos domingos
29 SET.1973 - Hoje, domingo, recebi o Século Ilustrado. O Sol varreu as nuvens da noite e resplandece nos telhados de zinco das casernas e até o mastro da Bandeira parece mais alto. À porta de armas surge um unimog com lotação esgotada. São GEs que vão iniciar uma operação sob as ordens do furriel Milton que, com abnegação, comandará a operação.
Surgem o Vigário com um papel na mão - o Veiga viria mais tarde para este planalto do Niassa. O Carrola manda o corneteiro tocar qualquer coisa a que ninguém liga. O Rato providencia as viaturas. O Paixão fala fala numa linguagem cifrada "sitrep", o Silva ralha com o capitão, este com o "Checa", o macaquito salta para o telhado de zinco...Outros militares juntam-se na parada: Ferreira, Teixeira, Azevedo, Cerqueira, Fernandes, Macedo I e II, José João, Meira, Padeiro, Fevereiro, Roxo, Belé, L. Marques, Baião...
...E vamos passando o (outro) tempo livre a ler e com algumas patuscadas. Somos um grupo diversificado e porreiro. Dois companheiros furriéis são dos Açores - gente boa. O sargento trouxe de Chaves um presunto e estivemos a tratar da operação. No próximo mês parte um furriel de férias para Lisboa e vai casar-se.
É este o nosso dia a dia, para não falar em coisas tristes de guerra.
Diário de um militar da C. Caç. 4242
Surgem o Vigário com um papel na mão - o Veiga viria mais tarde para este planalto do Niassa. O Carrola manda o corneteiro tocar qualquer coisa a que ninguém liga. O Rato providencia as viaturas. O Paixão fala fala numa linguagem cifrada "sitrep", o Silva ralha com o capitão, este com o "Checa", o macaquito salta para o telhado de zinco...Outros militares juntam-se na parada: Ferreira, Teixeira, Azevedo, Cerqueira, Fernandes, Macedo I e II, José João, Meira, Padeiro, Fevereiro, Roxo, Belé, L. Marques, Baião...
...E vamos passando o (outro) tempo livre a ler e com algumas patuscadas. Somos um grupo diversificado e porreiro. Dois companheiros furriéis são dos Açores - gente boa. O sargento trouxe de Chaves um presunto e estivemos a tratar da operação. No próximo mês parte um furriel de férias para Lisboa e vai casar-se.
É este o nosso dia a dia, para não falar em coisas tristes de guerra.
Diário de um militar da C. Caç. 4242
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Acção em Nova Santarém
22 JAN 1974 – O Posto Administrativo de Belém informou a C. Caç. 4242 que, pelas 17,30 h do dia 21, passou grupo inimigo, na região coordenadas (1351.3556), estimado em 12 elementos na direcção W.E.
Por vestígios deixados na estrada Belém–Nova Santarém, presume-se que transportavam volumes pesados e que seguiam em direcção ao Monte Chondé.
Um grupo de combate da C. Caç. 4242 e outro grupo de combate do destacamento de Belém, com Guardas Rurais e população armada perseguem pelo rasto o referido grupo inimigo.
Um grupo de Guardas Rurais e população armada perseguiam o inimigo e já fora da nossa zona de intervenção informaram as nossas tropas terem abatido um elemento inimigo, após troca de tiros na região de Nova Santarém. Foi capturada uma granada de mão defensiva. Na refrega o inimigo feriu um elemento da população de Conguer.
In História da C. Caç. 4242
In História da C. Caç. 4242
domingo, 21 de dezembro de 2014
MENSAGEM DO DELFIM (BRASILEIRO)
Através
do Silva, Delfim - também conhecido como O BRASILEIRO, - enviou o seguinte mail:
"Caro
amigo furriel Silva, companheiro da C. Caç. 4242:
Recebi
a sua carta e jamais esperava que você me encontrasse neste endereço – foi uma
grande surpresa!
Silva,
falando um pouco de mim, devo dizer-te que voltei para o Brasil em 1976. Em
1986 casei com uma srª brasileira, tenho 2 filhas: Suellen e Mariana, a
primeira tem 25 anos e a segunda 19. A primeira está terminando a faculdade –
Fisioterapia.
Eu
já estou reformado mas ainda trabalho em transportes de carga. Tenho viajado
várias vezes para Portugal e na última regressei ao Brasil em 25 de Outubro
corrente.
Silva,
já consultei o blogue da companhia e recordei o tempo que vivemos em Mandimba.
Vi a foto onde se encontram os nossos companheiros de guerra; infelizmente não
dá mais para reconhecê-los; estão todos carecas, barrigudos e velhos igual a
mim.
Espero
que da próxima viagem a Portugal a gente se encontre e que comemoremos juntos.
DESEJO BOM NATAL para todos e um feliz ANO NOVO.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
António Dias Costa
O SILVA enviou o seguinte mail:
É para informar que faleceu o ex-soldado ANTÓNIO DIAS COSTA que foi do 3º Pelotão e residia em Valongo.
Mandei-lhe as Boas Festas e a esposa comunicou-me "já não se encontra entre nós por motivo de doença prolongada".
Ainda em Outubro lhe mandei os Parabéns e como não me comunicaram nada, ainda devia estar vivo.
Mais um que partiu.
Se quiseres por no Blogue, talvez sirva para mais alguém ficar a saber.
Cumprimentos..
Um abraço
É para informar que faleceu o ex-soldado ANTÓNIO DIAS COSTA que foi do 3º Pelotão e residia em Valongo.
Mandei-lhe as Boas Festas e a esposa comunicou-me "já não se encontra entre nós por motivo de doença prolongada".
Ainda em Outubro lhe mandei os Parabéns e como não me comunicaram nada, ainda devia estar vivo.
Mais um que partiu.
Se quiseres por no Blogue, talvez sirva para mais alguém ficar a saber.
Cumprimentos..
Um abraço
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