sábado, 22 de novembro de 2014

Operação Mucossola - RELATÓRIO DO SIMAS

Caro amigo Almeida.
Antes de mais felicito-te pela tua persistência no construir o nosso Blogue (CCAÇ.4242), e também na paciência que tens em nos aturar a todos.
Li no nosso Blogue a transcrição da operação acima referenciada que, provavelmente, consta no Relatório da C. Caç. 4242.
Infelizmente não corresponde minimamente à verdade.
No dia 20 de setembro, o 1ª Pelotão iniciou uma operação de segurança à população do Munheere que, fustigada pela Frelimo, ameaçara abandonar a aldeia.
No dia seguinte, de manhã, um civil de ginga e muito ofegante, trouxe a notícia de que passara um grupo da Frelimo junto `à aldeia de Mucossola e que tinham dado um tiro na barriga de um civil capturado por eles para servir como carregador e que fugira.
Dividi o grupo de combate em dois, deixei um Cabo a comandar os que ficaram e parti com nove elementos, incluindo o José João de transmissões e julgo que o Cabo Figueiredo como enfermeiro.
Chegados a Mucossola verificamos o civil ferido que estava com as vísceras de fora. O enfermeiro pôs-lhe gaze e fez-lhe uma ligadura enquanto comunicávamos com o Tabefe a solicitar evacuação de helicóptero. Surgiram vários elementos da população armados de mauser e, ao dizer-lhes que iriam connosco atrás dos turras começaram a descartar-se ora dizendo que tinham dores no cabeço ora na barriga.
Mandei-os formar, dei-lhes uma sarabanda, deixei o Figueiredo e um soldado que já não me recordo quem, a coordenarem aquela gente, para improvisar um heliporto e manter segurança ao helicóptero.
Os restantes sete iniciaram a perseguição ao grupo IN, que se dirigia ao monte Mcongo, eu próprio, o Cruz (com um morteiro 60), o Lamego e o José João com o Racal, mais três soldados africanos de que me recordo do nome de dois: o Assane e o Rufino Amanse.
Estivemos debaixo de fogo das 13H00 às 13H20. Atiramos morteiradas, mas como cada um normalmente só levava uma granada, nunca poderiam ter sido dez.
Quando debandaram saímos da zona de fogo rastejando à retaguarda. Mandei o João José montar o Racal que, por não querer subir às arvores para dispor a antena pagou ao Assane para o fazer.
Falei com o Alferes Roxo que me disse ter poucos efetivos e que me deu ordens para que regressássemos.
Íamos nós regressar ao Quartel e dizer que tínhamos tido uma emboscada de 20 minutos e não ter nada que o provasse? Isso é que era bom. Avançamos em linha e capturamos o material que está referenciado e que demonstra que os sete vieram bem carregados.
Reconheço as dificuldades que possam ter os historiadores mas… tenham paciência.
No caso concreto não consegui levar nenhum guarda rural, nem mesmo dizendo-lhes junto ao ferido, que mais tarde viemos a saber ter morrido a bordo do helicóptero, que os turras tinham ferido seu irmão e que precisavam de ter castigo. Nem um para amostra.
Desculpem-me mas esta já vai longa.
Um abraço do Simas e, se algum dos referenciados puder dar uma ajuda eu agradeço antecipadamente.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Uma grande m....


Foto do álbum do Castro
que mora na Trofa
A manhã começava a romper; eram 4 horas e poucos minutos. Alguns militares já estavam a pé. O Cancela acordou. Ao seu lado ainda dormitava o transmissões e um furriel. Levantou-se e tentou tirar da cara e das mãos o que restava de antídoto para os mosquitos: tabaco desfeito de um cigarro e misturado com a saliva. Pegou na G3, afivelou o cinturão e foi um pouco mais longe defecar porque isto também se faz no mato. Era uma ginástica: encostar a G3 à árvore mais próxima, retirar o cinturão e colocá-lo ao lado, despir as calças e as cuecas transbordadas de suor, agachar-se e procurar expurgar tudo quanto o organismo não precisava. Mas era de não esquecer a G3, pelo que, apoiado sobre os calcanhares, as mãos encontravam-se no tapa-chamas: a necessidade humana em tempo de guerra…

História quase real escrita por um militar da C. Caç. 4242

domingo, 19 de outubro de 2014

O regresso dos soldados há 40 anos

19 Outubro de 1974 marca o nosso regresso da c. caç. 4242, Mandimba, Moçambique, da guerra colonial.
Uma data a recordar por todos, não perdendo de vista a lembrança dos nossos mortos:
ANTÓNIO COSTA OLIVEIRA
ANTÓNIO CUNHA FERNANDES



Cabo Costa na frente.
O Silva é o terceiro.
Nesta foto que junto, o cabo Costa é o 1º da fila; era do 4º pelotão e a foto foi tirada quando lá estive [no 4º pelotão].
Do Sevilhano não me lembro de ter foto [se alguém tem uma foto do sevilhano, é favor enviá-la].

Toca a comemorar no dia 19.
 Um abraço.
   Silva






quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Os nossos cozinheiros

Aqui envio uma foto daquele cozinheiro - com os seus "ajudantes" -
que fazia os petiscos e as refeições para os sargentos da C. CAÇ.4242.
Como estarão?
 Alguém se lembra do nome deles?
 Mota
Trabalhavam e tinham o seu ordenado.
Se lembro!... Em cima, ao lado do Mota, o cozinheiro Augusto, em baixo, um deles é o Luís, o outro?...de momento não me recordo do nome.
Ainda havia o Ernesto, não era assim o seu nome? Aquele que dava apoio no nosso sector e punha calçado a brilhar!... Já todos devem estar no outro lado, com pena minha, pois eram boa gente.
Abraços
Azevedo


domingo, 21 de setembro de 2014

Mucossola

(...) iniciámos a perseguição quando fomos surpreendidos por uma emboscada do inimigo. Reagimos disparando vários tiros e lançando dez granadas de morteiro 60mm. Após vinte minutos de fogo cerrado, o inimigo fugiu em debandada, atirando primeiro uma granada que caiu perto de nós. Reorganizámo-nos e formámos em linha, fazendo o reconhecimento do terreno. Encontrámos algum material abandonado, em redor de duas fogueiras do acampamento. Não continuámos a perseguição por sermos poucos: sete militares, sete Guardas Rurais e duas Pop. Arm., não dispondo de enfermeiro. Inutilizámos os géneros alimentares que tinham abandonado - arroz, farinha e mapira - , apanhámos o material de guerra, o fardamento e iniciámos o regresso ao Munhehere. - Resultados obtidos: 1 gerador de corrente de origem Russa (explosor); 2 catanas; 1 rolo de cordão eléctrico; 2 minas anti-grupo POMZ-2; 1 mina anti-carro TM-46; 2 carregadores da Kalashnikov c/ munições; 1 capa de chuva; 3 fardas completas; 1 calças; 25,5 kg de TNT em petardos de 200 e 400 gr; 7 rolos de arame de tropeçar, 2 latas de conserva...
In História da C. Caç. 4242

sábado, 13 de setembro de 2014

Nadir, Nadir

NADIR 10 – 10 JAN1974 – Patrulha moto até ao aldeamento de Matoto, seguido de nomadização 
Montanha perto de Cuamba,
antiga Nova Freixo
entre o rio Matonge e o rio Minhange, com montagem de emboscadas no rio Minhange, por 4 dias.


NADIR 13 – 13JAN1974 – Patrulha moto até ao aldeamento de Juma, seguido de nomadização na região entre o rio Lugenda e o monte Luchimua, com montagem de emboscadas no rio Luchímua, por 4 dias.
NADIR 14 – 15JAN1974 – Patrulha moto até à zona de Umpuanela, seguido de nomadização na região da serra Iapane, com montagem de emboscadas na fronteira, por 4 dias.

NADIR 15 – 16JAN1974 – Patrulha moto até Minhomar e apeado na região entre Minhomar e a serra Lipembéque, por 4 dias.
História da Companhia, pag. 113

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Escaldante mês de Janeiro de 1974

Em 23 JAN.1974, as nossas tropas – C. Caç. 4242 -, em perseguição de um grupo inimigo, accionaram armadilha, sofrendo 2 feridos ligeiros.
Em 25 JAN. 1974, uma patrulha da defesa civil dos caminhos de ferro detectou, no km 631, vinte minas A/P PMA, de origem jugoslava, 250 petardos de 400 gramas de TNT, cerca de 5.000 metros de cordão detonante, 100 detonadores eléctricos e chaves explosoras. Supõe-se que durante a montagem das cargas, o inimigo tenha provocado, acidentalmente, um rebentamento.
Foram descobertos 2 trilhos em direcção a nordeste, unindo-se cerca de 300 metros adiante, num único trilho.
Em 26 JAN. de 1974, o subgrupo Lince GE 401, em perseguição de grupo inimigo, detectou uma mina A7P PMA/1 de origem jugoslava.
Após levantamento da referida mina, um elemento GE accionou, involuntariamente, outra mina, causando um ferido grave nas nossas tropas e ainda um ferido ligeiro.
História oficial da Companhia

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Monte Mabu

Ao consultarem o Google Earth, em 2005, uma equipa de cientistas dirigida por britânicos, detectou uma mancha verde florestal denominada Monte Mabu, algures na Zambézia, Moçambique.

No final de 2008 essa equipa organizou uma expedição ao Monte Mabu, encontrando árvores de 45 metros de altura, imersas numa biodiversidade espantosa: novas espécies de borboletas, uma cobra desconhecida, aves raras, cobras gigantes como a víbora do Gabão, etc.
 
Moçambique foi devastado por uma guerra civil (1975-1992). Os cientistas encontraram uma natureza intacta, resultante do desconhecimento da sua existência, a dificuldade de acesso e esconderijo para a população durante os combates, daí a sua preservação e longe da pressão das queimadas para fazer sementeiras e longe da pressão para cortar madeira, não se tornando, então, uma ameaça ecológica.

sábado, 9 de agosto de 2014

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Antes do cessar-fogo

Itinerário entre Mandimba
e Nova Freixo
26JUN1974 - Hoje, pelas 10 horas, um grupo inimigo não estimado atacou alguns elementos da povoação de MOCOSSOLA, coordenadas (1357.3556), tendo ferido gravemente um deles. As nossas tropas - grupo de combate "GALO" - deslocaram-se da povoação de Munhehere para o referido local, lançando uma perseguição ao inimigo, sendo as nossas tropas auxiliadas pela população armada. Cerca das 13,30 horas as nossas tropas foram emboscadas perto do monte Mecongo . Não há baixas a registar.
História da Companhia, pag. 167.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

OS NOSSOS MORTOS EM COMBATE



15JUL1974 - Hoje, pelas 12,30 h, quando o grupo de combate "ROLA" regressava do destacamento de MUNHEHERE numa viatura UNIMOG 404, acionou uma mina A/C na região de coordenadas (1358,5.3556), muito próximo da povoação de JUMA, causando 12 feridos às nossas tropas, entre os quais 2 gravemente e 2 elementos das pop também em perigo de vida. Supõe-se que o referido engenho explosivo tenha sido colocado pouco antes daquela ocorrência. A viatura ficou parcialmente destruída. A evacuação dos feridos continua  a ser feita de Belém. Um grupo de combate deslocou-se ao local e prosseguem as averiguações.
BAIXAS E ABATES: Em consequência do acima relatado, faleceram na 1ª enfermaria militar regional [Vila Cabral], em 16JUL1974, para onde haviam sido evacuados, por acidente em campanha [leia-se morte em combate], os seguintes militares:
1ºcabo ANTÓNIO COSTA OLIVEIRA
soldado ANTÓNIO DA CUNHA FERNANDES
 
História da c. caç. 4242, 176 e 177

domingo, 20 de julho de 2014

O caso dos Padres da Beira

"(...) Mande pelo portador um garrafão de cinco litros de vinho, para festejarmos o próximo aniversário do início da nossa luta(...)"
Leia aqui o texto completo

domingo, 6 de julho de 2014

CONVÍVIO 5 DE JULHO 2014 - BRAGA

UM ABRAÇO A TODOS OS C.CAÇS E SEUS FAMILIARES
 
 No encontro em Braga, não éramos muitos, como podem confirmar pelo vídeo, mas parece-me que correu bem. O próximo ficou marcado para a COVILHÃ e vai ser organizado pelo camarada Rato.
Abraço, Azevedo
Para ver o vídeo em tamanho maior, clicar no botão                       full screen