sexta-feira, 11 de abril de 2008

Fotos de Mandimba

http://www.flickr.com/photos/25480309@N04/sets/72157604453502486/show

Amigos da C. Caç. 4242, façam clik na linha acima e vejam estas fotos; enviem-me as vossas para esta apresentação. Colaborem. Um abraço.

terça-feira, 18 de março de 2008

Três bacanos da C CAÇ 4242. Fronteira com o Malawi, em Mandimba

Um abraço especial ao Simas que hoje está em Lisboa a jantar com um grupo de malta porreira.
O Dias está em grande estilo; o Silva idem

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

DISCURSO DO SIMAS

Antes de mais queria saudar todos os ex-combatentes da CCAÇ 4242 aqui presentes que, respondendo à chamada do ex-soldado condutor Joaquim Cebola, que tinha como nome de guerra “Nisa”, se dignaram fazer um interregno nas sua vidas e deslocarem-se dos sítios mais recônditos deste País para nos virmos abraçar e celebrar a vida que ainda temos com a saúde que nos resta.
Muito mais do que uma refeição, estes momentos de convívio, de reviver recordações e de saudade dos tempos da nossa juventude, marcada pelo estilete da guerra e de África, são muito importantes para, na terceira idade em que todos já nos encontramos, alimentarmos o nosso ego e dizer aos outros em alto e bom som que, apesar de obrigados, não fizemos nada que nos envergonhasse.
Se da guerra temos recordações menos boas, pelos companheiros mortos e feridos, de África, concretamente de Moçambique, julgo todos termos as melhores recordações.
O seu clima com a época das chuvas, sinónimo de viaturas atascadas e das secas quando se faziam as célebres queimadas que renovavam a paisagem e revitalizavam os terrenos de tal forma que toda a semente que no solo caia germinava.
As suas gentes, na nossa zona essencialmente Ajauas e Macuas, estes últimos de tez mais escura, dóceis no trato e de fácil relacionamento, em que algumas das moças se prestavam para namoriscar com alguns de nós.
Descansem que não vou mencionar nomes!...
Pessoalmente, África marcou-me profundamente pois que foi lá que, a meio da comissão resolvi iniciar a vida em conjunto com a minha companheira Ana, com quem já namorava há cinco anos.
Em boa hora o fizemos. Como todos também temos passado por algumas agruras, mas temo-nos amado muito, fizemos duas filhas lindas e já vamos com um casal de netos.
Aproveito ainda para saudar as companheiras dos CCAÇs aqui presentes pela coragem e paciência de terem de aturar os vossos companheiros que, ao que agora dizem, sofrem de sindroma traumático pós guerra!
Saúdo também os companheiros ausentes que, estando espalhados pelo continente Português, o Raposo em Bristol EUA e o Brasileiro no seu Brasil, não marcaram presença certamente por motivos de vária ordem.
Aos companheiros mortos, uns no teatro de operações e outros pela lei natural da vida, para eles o Eterno Descanso. No meio destes permitem-me destacar o Fevereiro que, com a sua viola e alegria contagiante nos fez passar por momentos de convívio muito agradáveis em que ficava sempre renovado o nosso desejo do regresso a casa.
Em memória de todos eles, de pé, vamos cumprir um minuto de silêncio.
Gostava de agradecer ao Almeida Psicola e ao filho Rui Jacaré o trabalho da criação e manutenção do Blogue da CCAÇ. 4242 que tem sido o traço de união entre todos nós.
Ao Joaquim “Nisa”, à esposa e aos filhos que também se envolveram, os meus agradecimentos pelo trabalho na organização deste evento. Parabéns.
Finalmente permitem-me ainda, passados quase 42 anos sem nos encontrarmos, agradecer a presença do Manuel Moreira Nunes.
Seguindo o lema sejamos generosos no elogio e comedidos na critica e porque não vem nem podia vir na História da CCAÇ 4242, é altura de todos nós tomarmos conhecimento, de duas intervenções decisivas do Capitão Moreira Nunes no sentido da nossa Companhia não ter sido mais sacrificada e ou martirizada.
A primeira foi que, quando chegados à Beira e depois também em Nampula, nós que tínhamos Guia de Marcha para Mandimba, haviam forças ocultas de altas esferas que nos queriam empurrar para outros sítios mais “quentes”. O Capitão Nunes, e bem, fez o que tinha a fazer que foi o de defender com firmeza o local a que inicialmente estávamos destinados – Mandimba.
Quanto à segunda os que por lá andaram presenciaram mudanças no teatro de operações de várias companhias. Umas por castigo eram atiradas para o Lunho, etc., havendo ainda uma política de, a meio das Comissões, as Companhias rodarem indo para zonas menos boas se estavam em zonas boas e para zonas boas, para descansarem, caso estivessem em zonas de porrada como se dizia.
Apesar de tudo o que passamos, nenhum de nós queria pior, e a meio da nossa comissão houve quem nos quisesse empurrar para zona de mais barulho e foi o Capitão Nunes que se opôs argumentando o que entendeu, mas lá continuamos.
Como sabeis, o Capitão Moreira Nunes era o responsável máximo no terreno pelas nossas acções, pelos nossos actos e omissões e também pelas nossas vidas.
Hoje, todos adultos, conhecemos bem o peso das responsabilidades.
Perante vós aqui e agora quero dizer em alto e bom som “Obrigado Capitão Nunes por me teres trazido de volta com vida e saúde”.

Bem hajam a todos, um bom regresso ás vossas casa e… até para o ano!.
M M SIMAS

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O Cancioneiro do Niassa

O Cancioneiro do Niassa é uma colectânea de fados e canções centrados na vida dos militares portugueses colocados na região do Niassa, Moçambique, durante a Guerra Colonial nos finais da década de 1960 e inícios da década de 70. Constituem maioritariamente adaptações das letras de melodias em voga na altura e retratam uma visão humorística e sarcástica da própria guerra.

As letras foram elaboradas essencialmente pelos próprios militares, tendo sido efectuadas algumas gravações privadas [cassetes] que foram circulando rápida e clandestinamente entre os militares de outras zonas da guerra.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Cancela Tropa - uma história quase real da C. Caç. 4242 que prestou serviço militar em Mandimba, no Niassa, Moçambique em 1972/74

Operação militar

Informações do pessoal da DGS [Pide] indicaram a passagem de um grupo de cerca de 50 Turras, no sentido E-W, com origem na margem norte do rio Luchímua e tendo como possível objectivo a reactivação da base situada, tempo atrás, nos montes Checulo.

[Enviadas tropas da C. Caç 4242 para neutralização do grupo IN e elaboração de relatório]

De início, o Cancela escrevera: [no relatório]

“Detectaram-se vários trilhos provenientes da passagem de uma pequena manada de elefantes, pois, junto ao rio e em locais mais húmidos da floresta, eram bem visíveis as pegadas dos ditos paquidermes. Não havia quaisquer sinais da passagem de seres humanos…

[Tratava-se de uma autêntica hostilização às informações da Pide /Dgs, havia necessidade de rectificar o relatório, caso contrário...mudança de Sector]

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

32º. CONVÍVIO C.CAÇ. 4242 – MANDIMBA-NIASSA-MOÇAMBIQUE

COMUNICAÇÃO DE MIGUEL SIMAS


32º. CONVÍVIO C.CAÇ. 4242 – MANDIMBA-NIASSA-MOÇAMBIQUE


Restaurante Penedo - Cantanhede


Exmo. representante do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede;


Caros Companheiros de Armas,


Minhas Senhoras e meus Senhores,


Sejam todos bem vindos ao 32º Convívio da CCAÇ 4242 desta vez promovido e realizado pelo Milton Mota superiormente apoiado pela Solene sua esposa.


Fará este ano, lá para Novembro, 45 anos, em que um punhado de rapazes saiu de Santa Margarida, em autocarros com destino ao aeroporto de Figo Maduro, de onde partiria num avião Boing 707, da FAP, a caminho da Beira (Moçambique) com escala em Luanda.


Na bagagem levávamos a nossa grande força de viver e a esperança de regressarmos vivos e sãos, coisa que a alguns, infelizmente, não veio a acontecer.


Estamos aqui reunidos com os nossos familiares mais directos para fomentar a amizade e festejar a vida que ainda temos. Ninguém nos pode tirar o mérito de termos sabido preservar as nossas vidas até agora.


Estes momentos de convívio jamais poderão servir para tirar velhos ressentimentos, que por ventura ainda existam por debaixo dos tapetes, para serem esgrimidos contra outros camaradas.


Somos humanos e, quem nunca errou, que atire a primeira pedra! Temos que utilizar o magnânimo Dom de perdoar.


Uns dias antes de vir dos Açores o Almeida, não fosse ele o Psicola, enviou-me um texto intitulado “Enquanto se lutava”, com quatro temas de reflexão para que os apresentasse aqui neste convívio, coisa que o farei de seguida, não sem antes tecer o seguinte comentário.


O título, enquanto se lutava, dá a entender que éramos umas máquinas de guerra, mas não foi bem assim, porque a nossa missão no local que nos encontrávamos foi essencialmente de proteger e apoiar as populações carenciadas e indefesas, em termos sociais e de possíveis ataques.


Nós que até éramos da geração “Make Love, not Word” –Faz amor e não a guerra – o que queríamos era deixar passar o tempo para nos virmos embora para as nossas casas, as nossas noivas e as nossas famílias.


Uma das formas de não sentir passar o tempo era precisamente, fazer o bem e conviver com a dócil população Moçambicana que nos rodeava no quartel em Mandimba.


E foi assim que surgiram várias iniciativas levadas a cabo pela Companhia e que passava a citar:


1 – Assistência às populações.
Para além da assistência quase diária a todos os aldeamentos ao redor do quartel com a distribuição de água, quando esta faltava, de rações, sal e açúcar, gostaria de realçar que, muito perto de nós havia a Aldeia M´Papa, onde eram confinados os doentes Moçambicanos atingidos pela terrível doença da lepra e a quem dedicávamos uma especial e carinhosa atenção;


2 – Construção.
Durante a comissão foi preocupação do Comando da nossa Companhia conservar e melhorar sempre as instalações que nos tinham sido legadas, para além da constrição de um novo paiol, de novos abrigos e de palhotas para habitação dos GE`s;


3 – Também se rezava.
Claro que os camaradas mais crentes o faziam todas as noites a agradecer as dádivas divinas e a pedir um igual dia seguinte enquanto que, os menos crentes, apenas o faziam nas horas de aperto e de aflição;


4 – Também se aprendia.
Com o objectivo de valorização do pessoal a Companhia criou as “Aulas Regimentais”, superiormente dirigida pelo Furriel Almeida, professor de profissão, coadjuvado pelo 1º. Cabo Gaspar Mulessima também ele professor.
Assim se conseguiu que vários militar, Moçambicanos e da metrópole, tivessem tirado a 3ª e a 4ª classes com aproveitamento escolar de 100 %.
Ainda antes de terminar tenho a honra e o privilégio de vos apresentar uma peça de guerra do meu museu particular, um disparador Tipo MUV, de fabrico soviético e que fazia parte integrante de uma mina anti-pessoal.
O disparador que vos mostro é constituído por um cilindro metálico onde dentro tem um precursor, sob pressão de uma mola helicoidal que é travado o seu movimento por uma cavilha.
Esta puxada inicia de imediato o movimento do precursor que ao embater num detonador, constituído por uma cápsula fulminante reforçada com um pouco de tetril, provoca uma detonação que, por simpatia, faz detonar uma carga explosiva normalmente petardos de trotil.
Ao conjunto do disparador e do detonador chama-se espoleta.
Finalmente resta-me dizer-vos o seguinte:
  1. Agradecer a deferência do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, em que ao fazer-se representar neste evento pelo assessor Dr. Casas, demonstra o respeito e consideração para quem, muito novos, arriscaram a vida;
  2. Agradecer a presença de todos os presentes com os votos que este convívio sirva de fermento para o próximo;
  3. Agradecer a hospitalidade do Milton Mota e do Santos que tão bem divulgaram e organizaram este evento;
  4. E, porque os últimos são os primeiros, um agradecimento muito especial à Solene, companheira de sempre do Mota, que confeccionou e nos presenteou com tão ricos manjares;
  5. Por último não podemos jamais esquecer os nossos Companheiros da CCAÇ 4242 que deste mundo já partiram. Eles farão sempre parte de nós pelo que, de pé, pedia um minuto de silencia em sua memória.


Desejo-vos a todos a continuação de um saudável convívio com votos de um bom regresso às vossas casas e de muita saúde para todos.


Obrigado pelo tempo que vos roubei.

Miguel Simas

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Outra forma de exploração e aproveitamento dos militares

Valia tudo, até explorar o sentimento de insegurança e perda dos militares do Ultramar!
Para ver melhor clique na imagem.

domingo, 21 de outubro de 2007

Foto do director deste Blogue, tirada em Meponda, muito perto do Lago Amaramba (Mandimba)

Em Baixo, da esq. p. a direita: Cardoso e Nisa; em cima, pela mesma ordem: Costa, Silva e Almeida (Psícola).
São militares da Companhia de Caçadores 4242, que prestou serviço militar em Mandimba, Niassa, Moçambique, de 1972/74.
Tinham 20-22 anos; uns jovens despreocupados, que me ajudavam a fazer a acção psicológica [Psico]...e a beber uns copos na Cantina Gomes!
Um abraço especial ao Costa.