terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O Cancioneiro do Niassa

O Cancioneiro do Niassa é uma colectânea de fados e canções centrados na vida dos militares portugueses colocados na região do Niassa, Moçambique, durante a Guerra Colonial nos finais da década de 1960 e inícios da década de 70. Constituem maioritariamente adaptações das letras de melodias em voga na altura e retratam uma visão humorística e sarcástica da própria guerra.

As letras foram elaboradas essencialmente pelos próprios militares, tendo sido efectuadas algumas gravações privadas [cassetes] que foram circulando rápida e clandestinamente entre os militares de outras zonas da guerra.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Cancela Tropa - uma história quase real da C. Caç. 4242 que prestou serviço militar em Mandimba, no Niassa, Moçambique em 1972/74

Operação militar

Informações do pessoal da DGS [Pide] indicaram a passagem de um grupo de cerca de 50 Turras, no sentido E-W, com origem na margem norte do rio Luchímua e tendo como possível objectivo a reactivação da base situada, tempo atrás, nos montes Checulo.

[Enviadas tropas da C. Caç 4242 para neutralização do grupo IN e elaboração de relatório]

De início, o Cancela escrevera: [no relatório]

“Detectaram-se vários trilhos provenientes da passagem de uma pequena manada de elefantes, pois, junto ao rio e em locais mais húmidos da floresta, eram bem visíveis as pegadas dos ditos paquidermes. Não havia quaisquer sinais da passagem de seres humanos…

[Tratava-se de uma autêntica hostilização às informações da Pide /Dgs, havia necessidade de rectificar o relatório, caso contrário...mudança de Sector]

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

32º. CONVÍVIO C.CAÇ. 4242 – MANDIMBA-NIASSA-MOÇAMBIQUE

COMUNICAÇÃO DE MIGUEL SIMAS


32º. CONVÍVIO C.CAÇ. 4242 – MANDIMBA-NIASSA-MOÇAMBIQUE


Restaurante Penedo - Cantanhede


Exmo. representante do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede;


Caros Companheiros de Armas,


Minhas Senhoras e meus Senhores,


Sejam todos bem vindos ao 32º Convívio da CCAÇ 4242 desta vez promovido e realizado pelo Milton Mota superiormente apoiado pela Solene sua esposa.


Fará este ano, lá para Novembro, 45 anos, em que um punhado de rapazes saiu de Santa Margarida, em autocarros com destino ao aeroporto de Figo Maduro, de onde partiria num avião Boing 707, da FAP, a caminho da Beira (Moçambique) com escala em Luanda.


Na bagagem levávamos a nossa grande força de viver e a esperança de regressarmos vivos e sãos, coisa que a alguns, infelizmente, não veio a acontecer.


Estamos aqui reunidos com os nossos familiares mais directos para fomentar a amizade e festejar a vida que ainda temos. Ninguém nos pode tirar o mérito de termos sabido preservar as nossas vidas até agora.


Estes momentos de convívio jamais poderão servir para tirar velhos ressentimentos, que por ventura ainda existam por debaixo dos tapetes, para serem esgrimidos contra outros camaradas.


Somos humanos e, quem nunca errou, que atire a primeira pedra! Temos que utilizar o magnânimo Dom de perdoar.


Uns dias antes de vir dos Açores o Almeida, não fosse ele o Psicola, enviou-me um texto intitulado “Enquanto se lutava”, com quatro temas de reflexão para que os apresentasse aqui neste convívio, coisa que o farei de seguida, não sem antes tecer o seguinte comentário.


O título, enquanto se lutava, dá a entender que éramos umas máquinas de guerra, mas não foi bem assim, porque a nossa missão no local que nos encontrávamos foi essencialmente de proteger e apoiar as populações carenciadas e indefesas, em termos sociais e de possíveis ataques.


Nós que até éramos da geração “Make Love, not Word” –Faz amor e não a guerra – o que queríamos era deixar passar o tempo para nos virmos embora para as nossas casas, as nossas noivas e as nossas famílias.


Uma das formas de não sentir passar o tempo era precisamente, fazer o bem e conviver com a dócil população Moçambicana que nos rodeava no quartel em Mandimba.


E foi assim que surgiram várias iniciativas levadas a cabo pela Companhia e que passava a citar:


1 – Assistência às populações.
Para além da assistência quase diária a todos os aldeamentos ao redor do quartel com a distribuição de água, quando esta faltava, de rações, sal e açúcar, gostaria de realçar que, muito perto de nós havia a Aldeia M´Papa, onde eram confinados os doentes Moçambicanos atingidos pela terrível doença da lepra e a quem dedicávamos uma especial e carinhosa atenção;


2 – Construção.
Durante a comissão foi preocupação do Comando da nossa Companhia conservar e melhorar sempre as instalações que nos tinham sido legadas, para além da constrição de um novo paiol, de novos abrigos e de palhotas para habitação dos GE`s;


3 – Também se rezava.
Claro que os camaradas mais crentes o faziam todas as noites a agradecer as dádivas divinas e a pedir um igual dia seguinte enquanto que, os menos crentes, apenas o faziam nas horas de aperto e de aflição;


4 – Também se aprendia.
Com o objectivo de valorização do pessoal a Companhia criou as “Aulas Regimentais”, superiormente dirigida pelo Furriel Almeida, professor de profissão, coadjuvado pelo 1º. Cabo Gaspar Mulessima também ele professor.
Assim se conseguiu que vários militar, Moçambicanos e da metrópole, tivessem tirado a 3ª e a 4ª classes com aproveitamento escolar de 100 %.
Ainda antes de terminar tenho a honra e o privilégio de vos apresentar uma peça de guerra do meu museu particular, um disparador Tipo MUV, de fabrico soviético e que fazia parte integrante de uma mina anti-pessoal.
O disparador que vos mostro é constituído por um cilindro metálico onde dentro tem um precursor, sob pressão de uma mola helicoidal que é travado o seu movimento por uma cavilha.
Esta puxada inicia de imediato o movimento do precursor que ao embater num detonador, constituído por uma cápsula fulminante reforçada com um pouco de tetril, provoca uma detonação que, por simpatia, faz detonar uma carga explosiva normalmente petardos de trotil.
Ao conjunto do disparador e do detonador chama-se espoleta.
Finalmente resta-me dizer-vos o seguinte:
  1. Agradecer a deferência do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, em que ao fazer-se representar neste evento pelo assessor Dr. Casas, demonstra o respeito e consideração para quem, muito novos, arriscaram a vida;
  2. Agradecer a presença de todos os presentes com os votos que este convívio sirva de fermento para o próximo;
  3. Agradecer a hospitalidade do Milton Mota e do Santos que tão bem divulgaram e organizaram este evento;
  4. E, porque os últimos são os primeiros, um agradecimento muito especial à Solene, companheira de sempre do Mota, que confeccionou e nos presenteou com tão ricos manjares;
  5. Por último não podemos jamais esquecer os nossos Companheiros da CCAÇ 4242 que deste mundo já partiram. Eles farão sempre parte de nós pelo que, de pé, pedia um minuto de silencia em sua memória.


Desejo-vos a todos a continuação de um saudável convívio com votos de um bom regresso às vossas casas e de muita saúde para todos.


Obrigado pelo tempo que vos roubei.

Miguel Simas

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Outra forma de exploração e aproveitamento dos militares

Valia tudo, até explorar o sentimento de insegurança e perda dos militares do Ultramar!
Para ver melhor clique na imagem.

domingo, 21 de outubro de 2007

Foto do director deste Blogue, tirada em Meponda, muito perto do Lago Amaramba (Mandimba)

Em Baixo, da esq. p. a direita: Cardoso e Nisa; em cima, pela mesma ordem: Costa, Silva e Almeida (Psícola).
São militares da Companhia de Caçadores 4242, que prestou serviço militar em Mandimba, Niassa, Moçambique, de 1972/74.
Tinham 20-22 anos; uns jovens despreocupados, que me ajudavam a fazer a acção psicológica [Psico]...e a beber uns copos na Cantina Gomes!
Um abraço especial ao Costa.

domingo, 12 de agosto de 2007

No centenário do nascimento de Miguel Torga

A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Mensagem do Simas - de Lissiete a Namicoio Velho

Caros Companheiros de Armas.
Como sabemos foi produzida uma História da CCAÇ 4242, relatando algumas operações e acontecimentos ocorridos durante a nossa expedição Militar em Moçambique, entre Novembro de 1972 e Novembro de 1974, muito espartilhada e mais de acordo com os preceitos e regras militares de então do que com a verdadeira realidade dos acontecimentos.
Tínhamos que parecer bons soldadinhos a fim de evitar-se um castigo que seria eventualmente a nossa transferência para uma zona mais “quente” naquele teatro de guerra.
Vem isto a propósito de um extracto do relatório da acção da Lissiete a Namicoio, publicada pelo nosso incansável director Almeida Psicola na página da nossa Companhia e que, a meu ver, contendo algumas inverdades, para bem da verdade e pelo respeito devido a todos os intervenientes, deverei acrescentar o seguinte:
1 – Tínhamos saído do quartel pelas 05H30 e após quatro horas de trajecto, numa picada que não passavam viaturas há cerca de seis anos, não ia à frente qualquer equipa a fazer a picagem. Na frente da viatura ia o condutor, eu e o Roxo e na caixa, devidamente reforçada com sacos de areia, vinha o resto do 1º Pelotão.
O capim era mais alto que a viatura e os dois trilhos do rodado mal se viam.
A roda traseira do lado direito pisou uma mina anti carro TM 46 de fabrico americano. A jante e a borracha do pneu, reforçada com rede de aço, desapareceram vendo-se apenas algumas fitas que nem davam para fazer umas solas de sandália.
2 – Depois do enorme estrondo os companheiros começaram instintivamente a disparar as armas, ao que julgo, sem saberem para onde.
O pessoal que se encontrava operacional montou a segurança e prestou assistência aos mais abalados, que foram mais do foro psicológico e da coluna. Recordo-me que o soldado “Checa”, natural de Sintra, ficou bastante abalado pois que não reagiam ao que se passava à sua volta.
Ao Racal, o já falecido Fevereiro, fartava-se de chamar o Tabefe para anunciar o rebentamento de uma MIKE na PAPÁ mas, … nada. Então ele informa que o rádio, que apresentava uma grande amolgadela, não funcionava porque tinha eventualmente o cristal de frequência partido.
O Comandante do grupo deu-me então ordens para eu regressar a pé até à Companhia trazer a notícia e pedir auxílio. Insurgi-me dizendo que seria perigosíssimo pois que, estando a nossa presença denunciada, correríamos o risco de facilmente sermos apanhados à mão pelo IN.
Perante a insistência da ordem disse que só viria com uma secção o que me foi recusado, atendendo à necessidade de manter segurança à viatura, tendo-me sido permitido apenas vir com mais dois elementos.
Verificando-se a ausência de voluntários escolhi, se a memória não me falha, o cabo Polido e o soldado Lamego que, com alguma renitência aceitaram a missão.
3 –O regresso dos três ao quartel iniciou-se cerca do meio dia só com as G3 e sem qualquer meio de comunicação.
Estava a anoitecer, talvez cerca das 19H00, e estávamos a chegar ao aldeamento da Lissiete, quando nos deparamos com a vinda de uma Berliet do destacamento de Belém pois  que as nossas estavam avariadas.
4 -  Aí tomamos conhecimento que o Fevereiro conseguira falar para uma Companhia de Cabo Delgado que recebendo a mensagem a retransmitiu para a CCAÇ 4242, informando também que haviam três malucos a caminhar a pé, em direcção ao quartel o que, sendo noite, minimizou os riscos da aproximação à viatura.
5 – Confrontados com a solicitação de informação de como chegar à viatura acidentada e sem qualquer resposta possível não só pela altura do capim mas também por ser noite, por sinal bastante escura, e também por uma questão de solidariedade para com os companheiros que lá estavam, subimos para a viatura, Deus sabe com que forças, para regressarmos ao local do acidente.
6 – Lá chegados a Berliet de Belém fez a inversão de marcha, carregaram-se os feridos e o pessoal restante do 1º pelotão de regresso ao quartel tendo ficado o grupo de Belém a manter a segurança à viatura que demorou, por falta de peças, dois ou até mesmo três dias a ser reparada no local.
Tratava-se de um sítio muito isolado e, com o vai e vem de viaturas e de pessoas, a Frelimo, se quisesse e ou pudesse, poderia ter provocado danos muito maiores que, felizmente, não aconteceram.
Aqui fica este pobre mas sentido depoimento de quem viveu muitos momentos da referida operação e que, no fundo, pretende apenas fazer justiça a todos os que nela participaram mormente ao Cabo Polido e ao soldado Lamego pela coragem demonstrada.
Como poderão verificar qualquer semelhança desta crónica com o relato oficial é pura coincidência.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

"Conselhos ao Soldados do Ultramar"

“Em época de informação controlada pela censura e propaganda, transformar jovens europeus, camponeses e citadinos, em soldados capazes de viver e combater nos teatros africanos exigia o recurso a todos os meios, incluindo a arte e o humor.”
[D. N. Guerra Colonial: pag. 472 e 473] Clik na imagem para ampliar

terça-feira, 24 de julho de 2007

AEROGRAMAS - UMA FORMA (quase única ) DE CORRESPONDÊNCIA



SPM 6944 - ERA O CÓDIGO POSTAL (Serviço Postal Militar) DA C CAÇ 4242 - MANDIMBA

AEROGRAMAS

O Movimento Nacional Feminino (MNF) – estrutura do Estado Novo – foi o criador dos Aerogramas, com a finalidade de apoiar moral e socialmente os militares em serviço no Ultramar e suas famílias, muitas vezes com acções populares a que não faltava o cunho da demagogia.

Ao MNF se deve, pois, o lançamento dos aerogramas, alcunhados de “bate-estradas”, que constituíam o meio mais difundido de correspondência entre os militares e as suas famílias.

Destes aerogramas, cujo fornecimento e transporte era gratuito para os militares, estima-se que tenham sido impressos cerca de 300 milhões.