domingo, 5 de agosto de 2012

Cu de Judas

Kaúlza lança a operação Fronteira, a construção em Nangade, junto ao Rovuma, na fronteira com a Tanzânia, de uma vila com todos os requisitos da “vida moderna” (incluindo circuito interno de TV), a ligar ao Índico por estrada asfaltada. Nangade fica no meio de coisa nenhuma, num daqueles sítios de exílio interior a que os soldados portugueses se habituaram a chamar “cu de Judas”. O megalómano projecto de Kaúlza consistia em criar uma obra modelo que sirva de padrão a outros aldeamentos moçambicanos e atraia a população conquistada pela Frelimo. (…) A nova Nangade nunca será construída, ficando entregue à voracidade da selva, como um insólito monumento aos improváveis sonhos do comandante-chefe de Moçambique (…).
Os Anos da Guerra – João de Melo – Círculo de Leitores, pag. 18

sexta-feira, 13 de julho de 2012

PLATEIA

Mandimba, 2 de agosto de 1973
Um camarada nosso teve a ideia de enviar o seu nome para a revista “PLATEIA”, pedindo correspondentes. Passadas que foram algumas semanas chegaram cartas em quantidades elevadas que de imediato eram sorvidas por nós. Os remetentes eram diversos: criadas, professoras e estudantes. Algumas apresentavam propostas muito sérias…
Pois o nosso amigo S… recebia dezenas de cartas no dia de chegada do correio. E que fazíamos nós? Resolvemos escrever-lhe umas cartas amorosas como se fôssemos umas moçoilas. Até colocámos selos da metrópole, não descobrindo ele a marosca…
Diário de militar da C. Caç. 4242

terça-feira, 10 de julho de 2012

Sevilhano – o Padeiro – Uma História que Aconteceu

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A História da vida e da morte do soldado Sevilhano [António Cunha Fernandes] conta-se em poucas palavras. Natural de uma aldeia do norte - como a maioria dos militares da companhia -, cedo foi mobilizado para servir no Ultramar. Integrado na C. Caç. 4242 foi direitinho a Mandimba, no Niassa, uma localidade perdida entre Nova Freixo [Cuamba] e Vila Cabral [Lichinga], junto à fronteira com o Malawi e perto do lago Amaramba. Especialdade: padeiro…de noite cozia o pão que cada grupo de combate haveria de levar no dia seguinte para operações no mato. E ainda o pão que os outros colegas militares consumiam no dia-a-dia no quartel. Eram umas boas centenas de pães que diariamente o Sevilhano cozia. O forno localizava-se no quartel de Mandimba, de onde ele nunca saía para o mato em operações, pois o seu mister assim o exigia. Mas naquele mês de Julho de 1974, enquanto os cabecilhas de Lisboa e os cabeças de ar condicionado das regiões militares não resolviam o rumo do cessar-fogo, a sua má sina chegara. Na sua primeira saída do quartel, em destacamento de pelotão para a zona do Munhehere e em missão de padeiro naquele destacamento, uma mina traiçoeira ceifa-lhe a vida, assim como a do cabo Oliveira. Não me sai da cabeça pensar que todas as noites o soldado Sevilhano riscaria no ferro da cama ou na parede da caserna os dias que faltavam para acabar a comissão e cada dia que passava era menos um dia para o regresso a casa. Depois dormia. Mas naquele fatídico dia 15 de Julho de 1974 o sono foi eterno. Equívocos da guerra colonial! Mas a história de guerra do soldado Sevilhano tinha imensos equívocos - sem equívocos não se escreve a história. Se ele pudesse ter riscado tantos dias quantos os dos seus companheiros, apenas seriam necessários 60 dias. E passaria umas semanas em Nampula e outras tantas na Beira aguardando embarque para casa.

sábado, 7 de julho de 2012

VIAGEM A BORDO DOS BOEING DOS TAM



Atenção estúpidos !!!


Vamos lá a apagar as putas das beatas e apertar os cabrões dos cintos.


Todo o sacana que for apanhado de beata nos queixos ou com o filho da puta do cinto desapertado, enquanto o caralho do avião for a subir, já sabe que leva uma porrada!...


Tomem lá atenção a esta merda: se por acaso a gente estiver à rasca com a porra da pressão, há-de cair-vos uma merda duma máscara igual a esta em cima dos cornos.


Outra coisa que vocês devem meter nos cornos é o seguinte: nada de brincadeiras a apalpar o cú aos nossos cabos especialistas; deixem-se dessas merdas, olhem que eles não são nenhumas hospedeiras. Se algum sacana é apanhado a fazer isso já sabe que está fodido!!!


Daqui a bocado vai ser distribuída uma ração a cada gajo. Vamos lá a comer essa merda com cuidado, a ver se não há nenhum urso a atirar com as putas das latas para o chão. Todo o sacana que tiver a sua área suja, há-de limpá-la com a língua.


Entendidos seus filhos da puta???????...
(Panfleto humorístico distribuído no momento de embarque no avião dos TAM que nos haveria de transportar à Metrópole nos idos de Outubro de 1974)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Mensagem do João Macedo - Quem é quem?

Camarada e amigo! Para dares a conhecer a quem bem entendas. Em anexo fotografia para ser sujeita a concurso. O 1º a identificar os focados em 1º plano, deverá ser premiado. Do prémio darás conhecimento oportunamente, para te dar tempo de o escolheres. Me informa da evolução do concurso. Aquele abraço. As respostas deverão ser enviadas para o mail do nosso director (Psícola); só desta forma poderão concorrer. Participa

quinta-feira, 31 de maio de 2012

27º Convívio - Casa do Mota


A força de coesão leva-nos a reactualizar as experiências e lembranças que possuem uma forte carga simbólica gerando este conflito entre os jovens que fomos e os homens que somos.
Vamos lembrar Moçambique, país que nos viu rapazes, onde cumprimos quase dois anos de dever para com a nossa pátria. Portugal ia do Minho a Timor…

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O regresso dos Soldados

“Nunca deixo de pensar naqueles soldados de corpos queimados dos pés à cabeça, tudo a pedir água e soro. E uma pessoa está ali no meio, sem saber para que lado se virar. Aquele que chegou sem os dois braços e sem as duas pernas e pedia por tudo quanto havia para que o matassem! Chegamos a uma altura em que ganhamos coragem…Mas não, não podemos…
Moçambique, o Regresso dos Soldados, Ricardo Marques, Publicações D. Quixote, 2005


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Quartel de Mandimba

"Foi tirada hoje ,dia 17 de Maio, um abraço."
Foi a mensagem do nosso amigo Manuel Garcia.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Operação Nanico 70`s

NANICO 76 – 19JUN1974 – Lince
Patrulha moto até Minhomar seguido de nomadização entre os rios Matonge, Mecutira e Mecolume, com montagem de emboscadas no rio Mecolume, por 6 dias.
NANICO 77 – 22JUNHO1974 – Cobra
Nomadização entre os rios Mapulázia, Luchímua, Linha do Caminho de Ferro, nascente do rio Lissimba, com montagem de emboscadas no rio Luchímua, em locais de possível travessia do inimigo, com batida do monte Mecongo e lançamento de pessoal na ponte do rio Luchímua, por 6 dias.
NANICO 78 – 26JUNHO1974 – Lobo
Batida da região entre o rio Lassalumué, LCF e rio Luchete, com montagem de emboscadas no trilho Muambico e lançamento de pessoal na ponte do rio Luchímua e recolha na Cantina Viegas, por 5 dias.
História oficial da C. Caç. 4242, pag. 165

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Fotos recentes do Quartel de Mandimba

O nosso amigo Manuel Garcia, da CART 1598, enviou 2 fotos do Quartel de Mandimba tiradas a semana passada.
Quem identifica este edifício?Messe de oficiais?

terça-feira, 1 de maio de 2012

OPERAÇÃO NADIR II

NADIR 93 – 2MAIO1974 – Gato

Patrulha moto até Juma seguido de nomadização entre os rios Chindo, rio Lissimba, rio Luchímua e rio Lugenda com batida no monte Chondé e montagem de emboscadas no rio Lugenda, em locais de possível passagem do inimigo, por 5 dias.

NADIR 94 – 4MAIO1974 – Rato
Patrulha moto até Minhomar seguido de nomadização entre os rios Matonge e Mecolume, com montagem de emboscadas no rio Minhange, por 5 diuas.

NADIR 95 – 6MAIO1974 – Galo
Patrulha na região entre o rio Lassalumué, Linha do Caminho de Ferro [Belém-Catur] e rio Luchete, com montagem de emboscadas no trilho Muambico, por 5 dias.
NADIR 96 – 7MAIO1974 – Rola
Nomadização na região entre os rios Mecongo, Mangalata e Mandimba, com montagem de emboscadas ao longo da fronteira e no rio Mangalate, em locais de possível travessia do inimigo, por 5 dias.
cHACUN À SON METIÉR
In História oficial da C. Caç. 4242, pag. 155

terça-feira, 24 de abril de 2012

Elefantes destroem 80 hectares de culturas agrícolas

O fenómeno atingiu as comunidades de Nkonga, Namiune, Mandimba e 5º Congresso, conforme o secretário permanente distrital de Nangade, Gilberto António Massute, o qual explicou que no primeiro trimestre foi abatido um búfalo considerado problemático, que aterrorizava as populações da aldeia Ngalonga.
Para saber mais consulte http://www.verdade.co.mz/ambiente/26747-elefantes-destroem-80-hectares-de-culturas-agricolas-em-nangade

quinta-feira, 19 de abril de 2012

OPERAÇÃO NANICO

19JAN1974 – Patrulha moto até Matoto seguido de nomadização na região entre o rio Matonge e o rio Minhange com montagem de emboscadas no rio Minhange, por 4 dias.
20JAN1974 – Grupo de combate Cobra inicia perseguição a grupo inimigo na região do rio Minhange, por 4 dias.
22JAN1974 – Grupo de combate Lince inicia patrulha até Chilangué seguido de nomadização na região da serra Iapane, com montagem de emboscadas na fronteira [Malawi], por 3 dias.
28JAN1974 – Grupo de combate Lobo, comandado pelo oficial de operações, inicia exploração imediata da região de coordenadas(1352.3543,5).

História oficial da C. Caç. 4242 – pag.166

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Mensagem do Azevedo

Azevedo  enviou uma hiperligação para o blogue:
São militares da C. Caç. 4242 aguardando a chegada de um cabeça de ar condicionado
Agradeço os votos manifestados pelo Silva e aproveito para  desejar também, a todos os ccaç 4242, uma páscoa feliz.
Abraço do Azevedo.