sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"Cancela Tropa" - uma historia quase real da C. Caç. 4242 que prestou serviço militar em Mandimba, no Niassa, Moçambique em 1972/74

"Era noite. E a noite sempre esteve ligada às más notícias. Todos os grupos de combate se encontravam no quartel. Os soldados tomavam um banho para retirar o suor de quatro dias. Alguns procuravam lavar da memória a triste cena do furriel e dos dois soldados a irem pelos ares no rebentamento das minas anti pessoais. Depois, a caírem, num berro, a olharem para a perna que ficava longe. Depois, estendidos no chão, gritavam com dores e apalpavam a perna que momentos antes os fazia andar. Depois um deles a dizer que o matassem, pois as dores eram enormes. Depois, o outro soldado a chamar pela mulher. Depois, o furriel, muito calmo, de olhos para o local da perna que já não tinha.
E esses soldados misturavam o sabão e a água às suas lágrimas. E esses soldados esfregavam muito bem as suas pernas como se certificassem que ainda se encontravam sobre os dois pés.
A água, o sabão e as lágrimas nunca restituíram as pernas que tinham ficado para os animais comerem.
A Força Aérea, que fora fazer a evacuação, respondera que já não eram precisas [as pernas] e não as transportou."

“Cancela Tropa - O Uivo da DGS” – História da autoria de um militar da C. Caç. 4242 - Mandimba

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Exames regimentais

"09 NOV. 1973 – Foram submetidos a exames da 3ª e 4ª classe das escolas regimentais no B. CAÇ. 19 de Nova Freixo [agora chama-se Cuamba] as praças da C. Caç. 4242 em serviço em Mandimba [sob a superintendência do ex- furriel Almeida professor, também conhecido por Psícola, coadjuvado pelo 1º cabo Gaspar Mulessima, também ele professor e militar em Moçambique].
Transcrição da ordem de serviço nº 66:
a) Que em 13 NOV. 1973, pelas 20 horas, se apresentaram nesta Companhia [C. Caç. 4242], vindos de Nova Freixo, por haverem terminado as provas de exame da 4ª classe, as praças abaixo mencionadas:
1º Cabo – 06623072 – J. M. D. C.
1º Cabo – 06646972 – J. S. B.
1º Cabo – 10576171 – A. C. S.
1º Cabo – 07598972 – D. V. P.
1º Cabo – 07190572 – A. J. S. P.
Soldado – 02507172 – J. N. C.
Soldado – 04058372 – A. J. S.
Soldado – 04084772 – J. A. F.
Soldado – 06648472 – B. A. R.
Soldado – 06798972 – A. T.
Soldado – 106032272 – J. B. F. L.
Soldado – 06635372 – M. A. A. C.
b) Que, em 13 NOV. 1973, pelas 20 horas, se apresentaram nesta Companhia, vindos de Nova Freixo, por haverem terminado as provas de exame da 3ª classe, as praças abaixo mencionadas:
Soldado – 75954872 – Maurício Valentim
Soldado – 75953472 – António Joaquim Boavida
Soldado – 75952272 – Orlando Mupualanha
Soldado – 75954772 - Carlos César
Soldado – 75954672 – Artur Batista Sirage
Soldado – 75952372 – Manuel Ernesto Mulelo
Soldado – 75951672 – Rufino Amanze
Soldado – 75953872 – André Cussape
Soldado – 75954572 – Bernardo Assumane"
 In História da C. Caç. 4242

[Diga-se de passagem que o aproveitamento escolar foi de 100%]


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Mensagem do Mota

                                  VAI UMA LAURENTINA?
Camaradas aqui vos envio umas fotos para recordar as "laurentinas" e aquele camarão que se comia em Mandimba. Como o tempo passou tão rápido! - já lá vão quase 41 anos que desembarcámos na Beira, onde bebemos pela primeira vez a famosa LAURENTINA. Aproveito para enviar duas fotos tiradas em Mandimba em 28-11-1973 para elucidar o antes e o depois de umas laurentinas ou 2 M  bem bebidas!

                     Um abraço a todos os camaradas da c.caç. 4242

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Extracto de Relatório da Companhia


“(…) 06 FEV 1974
A certa altura do percurso e quando era passada hora e meia de caminho, cruzámos uma picada antiga que actualmente serve de trilho ao IN [inimigo], mas que se encontrava armadilhada, segundo o Guia.
A partir desse momento começamos a cruzar diversos trilhos, uns batidos, outros impraticáveis e difíceis de reconhecer. Passadas que eram duas horas de marcha e após a travessia de um riacho, cruzámos um trilho muito antigo, que só foi reconhecido como tal a cerca de dez metros do riacho. Após a travessia deste por 19 homens do subgrupo dos GE [grupo especial] 401, um dos militares que seguia em 2º lugar, accionou uma mina A/P, ficando gravemente ferido. Foi imediatamente pedida evacuação em Heli, enquanto o resto do pessoal se mantinha imóvel, por suspeita de haver mais engenhos explosivos.
GE 401
Costa, Silva, Psícola, Cardoso e Niza, 
algures em Meponda ou Napulo
Passados dez minutos, quando o Furriel Costa, Cmdt. do GE, pretendia atravessar o riacho, a fim de juntar o resto das nossas tropas que se mantinha na outra margem, accionou outra mina AP, colocada entre o riacho e a primeira mina, a cerca de 1,5 metro desta. Após tratados os dois feridos, foram transportados para uma clareira, sendo evacuados três horas e meia depois.
Por que o Subgrupo ficou sem comandante e único graduado, e as nossas tropas sofrerem o efeito psicológico do rebentamento das minas, foi resolvido regressar, uma vez que também se suspeitava que a zona estivesse fortemente minada, inclusivamente fora dos trilhos, o que foi confirmado pelo Guia.
Chegados à linha CF [caminhos de ferro], fomos transportados a Belém e recolhidos em meios auto até Mandimba.(…)”
In “História da C Caç 4242”

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Extracto de relatório imediato

21MAIO1974
Assunto: Malawi
Chegou recentemente à cidade de Blantyre-Malawi um contingente militar chinês vindo da Zâmbia. Viajaram num avião zambiano e desconhece-se o seu efectivo. Ignora-se concretamente qual o motivo da presença de tais elementos no Malawi.
In História da Companhia 4242

terça-feira, 3 de setembro de 2013

"Um homem não chora"


1º Pelotão do Roxo, do Simas ,
do Castro e de tantos outros
militares da C. Caç. 4242 
 E à noite, entre os ruídos familiares, infiltravam-se os dessa outra noite, africana, já não cruzada pelo som amigo dos batuques, mas por gritos e gemidos, e a dúvida «se eu estivesse lá?». Era uma pergunta sem resposta simples, as fotografias tinham feito o seu trabalho, a violência das imagens sobrepunha-se ao raciocínio, diminuíam a capacidade de pensar. Pessoas insuspeitas de simpatia pelo regime, partidárias da independência das colónias, leitoras de Fanon ou de Césaire, admitiam participar em milícias nas colónias, invocando a legitima defesa - e os primeiros homens a partir «para Angola e em força» tinham a apoiá-los a maioria de uma Nação longamente adormecida sobre o verdadeiro significado do colonialismo.
Mas os homens continuaram a partir e a máquina de guerra reclamava os amigos cada vez mais próximos: um vizinho, um primo, o irmão mais velho, depois o caçula... Como esquecer o primeiro que foi, o esforço para que a despedida soasse como habitualmente, a forma como, pela primeira vez, se lhe via o rosto, dolorosamente se fixava cada um dos traços, os olhos mais fundos do que o habitual, o sorriso quase a desfazer-se em lágrimas, os maxilares cerrados? ( «Um homem não chora, um homem não chora, um homem não chora ... »).
http://www.guerracolonial.org

sábado, 24 de agosto de 2013

...a perna toda esfacelada...


Foto pertencente ao álbum do Castro
 que mora na Trofa
13FEV1974-Chegámos ao aldeamento de Munhehere às 8,00 horas e fizemos exploração via rádio para a Companhia [4242], de onde nos foi ordenado que voltássemos pela picada. Saímos do Munhehere às 8,20 horas e chegámos ao Juma às 10,30 horas. Foi aí que nos encontrámos com o GR de GE`s 401. Por volta das 15,00 horas, encontrando-nos no aldeamento do régulo Mezito, fizemos exploração rádio para a Companhia. Tivemos, então, conhecimento de que uma mulher do aldeamento do Juma, ao dirigir-se para o poço, a fim de ir buscar água, accionara uma mina A/P, ficando sem um pé e a perna toda esfacelada.
 
In Hitória oficial da C. Caç. 4242/72

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Extracto de relatório imediato


Militares da C. Caç. 4242 conferenciam
 conscienciosamente antes ou após  uma operação
22JAN1974 - O posto administrativo de Belém [agora chama-se Mitande] informou que pelas 17,30 horas do dia 21, na região coordenadas (1351.3556), passou grupo inimigo estimado em 12 elementos na direcção WE. Por restos e vestígios deixados na estrada Belém-Nova Santarém, presume-se que transportem volumes pesados, seguindo na direcção Monte Chondé. Um grupo de combate da C. Caç. 4242 e outro grupo de combate do destacamento de Belém e guardas rurais e população armada perseguem o grupo inimigo. Já fora da nossa zona de acção, as nossas tropas informaram terem abatido um elemento inimigo e capturado uma granada de mão defensiva. Mais informaram ter havido troca de tiros na zona de Nova Santarém, tendo saído ferido um elemento da população do Conguer.
Da História da C. Caç. 4242/72 que prestou serviço militar na zona de Mandimba

domingo, 4 de agosto de 2013

NADIR

NADIR
NADIR 26 – 05 FEV1974 – Rola
Patrulha moto até Napulo seguido de nomadização na região entre o rio Nhanheze e lago Amaramba, com montagem de emboscadas na fronteira com o Malawi, por 4 dias.
NADIR 28 – 09 FEV1974 – Galo
Patrulha moto até colonato de Chivanda, com batida ao monte Chezulo e montagem de emboscadas ao longo da fronteira até ao rio Luchímua, por 4 dias.
NADIR 30 – 11 FEV1974 – Gato
Patrulha moto até Congerenge seguido de nomadização na região entre o monte Messonguisse até rio Luchete, por 4 dias.
História da Companhia 4242 (pag. 127)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Vídeo enviado pelo Castro que mora na Trofa



ESTE E OUTROS VÍDEOS PODEM SER VISTOS EM
http://www.youtube.com/watch?v=sBMtbs1tSFo
 CLICANDO EM 13 VÍDEOS
Estes vídeos foram elaborados pelo nosso director ALMEIDA PSÍCOLA