quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

D. Eurico Dias Nogueira, Bispo de Vila Cabral

"D. Eurico Dias Nogueira teve vários contactos com dirigentes da Frelimo e designadamente com Sebastião Mabote, um dos míticos chefes da guerrilha e que viria a ser vice-ministro da Defesa.
Um desses contactos é documentado num relatório da PIDE, de 14 de Outubro de 1968, com o título «O Prelado da Diocese de Vila Cabral perante a Frelimo». Da autoria da delegação de Moçambique e com a classificação de A-1 (máxima fidedignidade), foi dado a conhecer ao novo Presidente do Conselho, Marcello Caetano, bem como aos ministros do Ultramar (Silva Cunha) e Defesa (general Sá Viana Rebelo).
Diz o relatório que, a 1 de Abril, no decorrer de um ataque à base da Frelimo na província do Niassa, «foram encontrados e capturados vários documentos», entre eles uma carta dirigida a um tal «BX», que a polícia tem como certo tratar-se de D. Eurico.
Procurando aprofundar esta pista, a PIDE indagou junto de um «destacado terrorista da Frelimo, Subchefe do Sector ou Zona B – Distrito de Mandimba, com sede na Base Catur». O relatório não esclarece os meios utilizados para a obtenção das informações - apenas faz o relato daquele dirigente. Assim, e a fazer fé neste relato, o bispo «vem mantendo contactos directos com chefes da Frelimo» desde 1966. Nesse ano, o prelado «teve um encontro em Vila Cabral com o então Chefe da Base de Instrução de Chala, de nome Horácio Nunes, natural da Zambézia. Tal encontro foi comunicado ao Sebastião Mabote», chefe operacional do Niassa, «que mandou uma carta» a D. Eurico através do mesmo Horácio Nunes.
A PIDE nada adianta sobre o conteúdo da carta de Mabote, que, após a independência de Moçambique, em 1975, viria a ocupar os cargos de vice-ministro da Defesa e Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. No entanto, é provável que seja a carta que viria a ser publicada em 1995 por D. Eurico no seu livro de memórias «Episódios da Minha Missão em África» (págs. 81 e 82). Vale a pena citar na íntegra: «Desde há tempos que desejo ter uma conversa pacífica com você», escreve Mabote. «Mas não tenho conseguido, porque a tropa fascista, colonialista e imperialista de Salazar não nos permite tranquilidade nessa sua área. Mas se você indicar uma base de segurança, eu enviarei um emissário para combinar o encontro. Entretanto, para prova do seu espírito internacionalista, mande pelo portador um garrafão de cinco litros de vinho, para festejarmos o próximo aniversário do início da nossa luta.»"
site de Dornelas do Zêzere


domingo, 1 de fevereiro de 2026

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Horas de descontracção na "Cantina Gomes", nosso grande amigo indiano

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

ALMOÇO CONVÍVIO 2026

CONVOCATÓRIA ALMOÇO CONVÍVIO MILITARES DA C. CAC. 4242 E SEUS FAMILIARES OBJECTICOS: reencontro, amizade e partilha: Recordar os ausentes e falecidos - DATA: sábado - 6 de junho de 2026 - ONDE? Restaurante Maurício dos Leitões. - Orientação pelo GPS do telemóvel - ORGANIZAÇÃO: Milton Mota, tel. 962871880 – mail: milton.o.mota@gmail.com Inscreve-te!

domingo, 11 de janeiro de 2026

UM POUCO DE HISTÓRIA

(…) Naquela espécie de guerra, não se empregavam grandes corpos militares. A única táctica, por outras palavras, a unidade combatente, era a companhia, e foram por isso os capitães, comandantes das companhias, que desde o princípio suportaram o peso das operações. Os oficiais dos postos superiores poucas vezes saíam dos quartéis e a maior parte nem saía das cidades. Esta circunstância provocou no exército uma divisão entre aqueles que faziam a guerra “no mato” e aqueles que a faziam “no ar condicionado”. Uns e outros detestavam-se e essa hostilidade transformou-se em pura indisciplina. A frase “Vai para o mato, malandro!” rosnada e berrada pelos quartéis e acompanhamentos nas costas dos oficiais superiores, resume o estado de espírito geral. Em 1973, havia já militares que fingiam apenas cumprir missões, que se afastavam deliberadamente das áreas de risco ou que entravam em tréguas sub-reptícias com as guerrilhas do setor. Vasco Pulido Valente, Portugal e Ensaios de História e Política, Aletheia Editores