terça-feira, 24 de setembro de 2013

A vida e a morte do militar "Sevilhano"

A História da vida e da morte do soldado "Sevilhano" [António Cunha Fernandes] conta-se em poucas palavras. Natural de uma aldeia do norte - como a maioria dos militares da companhia -, cedo foi mobilizado para servir no Ultramar. Integrado na C. Caç. 4242 foi direitinho a Mandimba, no Niassa, uma localidade perdida entre Nova Freixo [Cuamba] e Vila Cabral [Lichinga], junto à fronteira com o Malawi e perto do lago Amaramba. Especialdade: padeiro…de noite cozia o pão que cada grupo de combate haveria de levar no dia seguinte para operações no mato. E ainda o pão que os outros colegas militares consumiam no dia-a-dia no quartel. Eram umas boas centenas de pães que diariamente o Sevilhano cozia. O forno localizava-se no quartel de Mandimba, de onde ele nunca saía para o mato em operações, pois o seu mister assim o exigia. Mas naquele mês de Julho de 1974, enquanto os cabecilhas de Lisboa e os cabeças de ar condicionado das regiões militares não resolviam o rumo do cessar-fogo, a sua má sina chegara. Na sua primeira saída do quartel, em destacamento de pelotão para a zona do Munhehere, perto de Belém e em missão de padeiro naquele destacamento, uma mina traiçoeira ceifa-lhe a vida, assim como a do cabo Oliveira.
Foto do álbum do Castro
que mora na Trofa
Não me sai da cabeça pensar que todas as noites o soldado Sevilhano riscaria no ferro da cama ou na parede da caserna os dias que faltavam para acabar a comissão e cada dia que passava era menos um dia para o regresso a casa. Depois dormia. Mas naquele fatídico dia 15 de Julho de 1974 o sono foi eterno. Equívocos da guerra colonial! Mas a história de guerra do soldado Sevilhano tinha imensos equívocos - sem equívocos não se escreve a história. Se ele pudesse ter riscado tantos dias quantos os dos seus companheiros, apenas seriam necessários 60 dias. E passaria umas semanas em Nampula e outras tantas na Beira aguardando embarque para casa.
História verdadeira da autoria do director do blogue